Luís Pereira Na passada sexta-feira estive na abertura da Semana Gastronómica de Machico e fiquei maravilhado com a actuação da artista regional Catarina Melim (17 anos) e a sua banda.
Foi um espectáculo memorável em todos os aspectos, desde a monumental voz da Catarina, a sua interação com o público e presença em palco à excelente qualidade dos músicos, passando pela brilhante encenação levada a cabo pelo grupo de dança Sweet Dancers, numa criteriosa e abrangente selecção de temas musicais.
Imediatamente a seguir, deu-se a actuação do tão aclamado cabeça de cartaz, José Malhoa que, pago a peso de ouro, nada mais fez do que emprestar a sua desgastada voz, (segundo o próprio), para cantarolar alguns temas do tempo dos meus avós, em cima de som pré-gravado. Pelo meio pronunciou algumas chalaças de cariz sexual, para júbilo dos seus fãs.
Tendo em conta a diferença abismal de qualidade entre as duas actuações, fico com a sensação que algo de muito errado se passa na contratação e promoção dos artistas para este tipo de eventos.
Então preferimos pagar mais por espectáculos de qualidade inferior!!!??? Não faz sentido.
Vivemos de facto tempos de crise, mas pelo que pude comprovar, essa crise é civilizacional. Reflexos do povo superior.