Falta pouco para o arranque do Campeonato de Futebol Profissional 2013/2014. Discutem-se plantéis, fazem-se apostas e comentam-se contratações. Todos os anos repete-se este ritual, quase que uma tradição, uma espécie de “Sozinho em casa” que passa, todos os Natais, na televisão.

Os adeptos, sedentos de uma bela e bem disputada partida de futebol, aprumam-se para ver as suas cores entrarem em campo com o pé direito.

Tiram as camisolas e cachecóis das gavetas e aguardam ansiosamente pelo primeiro jogo em que a sua equipa joga na condição de visitado. Este ano, porém, o Estádio da Madeira não está autorizado a receber assistência num jogo, castigo a ser cumprido logo no primeiro jogo, na 2.ª jornada do campeonato, quando receberem o Vitória de Guimarães, isto porque o clube foi castigado pela prática de infracção prevista e punida pelo regulamento disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol. Dizem os entendidos que a massa adepta entoou cânticos racistas no jogo com o Olhanense, referente à 20.ª jornada do Campeonato 2012/2013. Mas eu estive lá e nada ouvi.

Não ouvi cânticos racistas da mesma forma como não ouvi cânticos de incentivo, de apoio e de encorajamento. A massa adepta nacionalista é muito especial e dificilmente se deixa contagiar por comportamentos visíveis de apoio. Sofrem em silêncio, aplaudem em silêncio e protestam quase em silêncio.

O seu a seu dono, diz o dito popular. Não sei quem assistiu aos sinais de violência, de discriminação e de racismo, mas julgo terem visto mal. Aqui não há violência, verylights, episódios de pancadaria como a TV muitas vezes nos mostra. Aqui não há grupos organizados que promovem e consentem com cânticos, comportamentos, faixas e slogans atentados contra a dignidade humana. O Nacional joga à porta fechada mas não joga sozinho em casa.

Andreia Nascimento