Arcanjo Delgado Melhor seria eu ser mais um dos que assobiam para o lado e fazer de conta que tudo está bem. Olhar cabisbaixo, com o sorriso cínico de quem pensa e tem medo de o dizer. Mas não é a minha forma de estar, se faço bem? Só a minha consciência me sabe responder, quando me deito, e sinto a tranquilidade de mais um dia passado na minha vida.

A Calheta é, como toda a gente sabe o maior e com mais potencialidades, concelho da Madeira, e como tal pano pra grandes intervenções em termos de programação de eventos que venham o notabilizar como concelho vivo, capaz, diferente, arrojado mesmo. E com tudo isto fere-me aperceber-me que não se faça mais do que uma imitação de tudo o que os outros fazem. Se não vejamos.

Numa Madeira em que a cultura que mais se notabiliza é a cultura da poncha, da tasca, a Calheta repete-se nos Pontos e Virgulas, nos eventos que trazem pessoas à calheta da meia noite ás seis da manhã e que erradamente se desenrolam em lugares inapropriados, como sendo a já fustigada praia oeste, e outros até em cima de sistemas de rega.

A Calheta não pode incorrer nos mesmos erros, por isso foi dotada de pessoas que têm a obrigação de zelar pela imagem, pelo bem-estar de quem confiou neles. Urge fazer alguma coisa, há necessidade de juntar quem queira, que se faça um mini club de pensadores “ aberto a quem sabe, e não a quem queira”, que saibam separar bem os seus negócios, os seus interesses e que se sintam verdadeiramente obreiros de um lugar melhor, e acreditem que há muito que fazer. Que não se olhe pra trás, que não se preocupe em encontrar culpados de alguma inércia. Que se comece do zero, a Calheta não pode ser vista lá fora sendo o concelho da Casa das Mudas.

Comece-se por onde? Comece-se mesmo por antecipação ao projecto levado á assembleia regional para o licenciamento zero. Como? Instruindo o vereador do respectivo pelouro no sentido de uma forma menos burocrática, ver e rever os projectos apresentados e dar-lhes seguimento em muito pouco tempo. E dessa forma fomentando os pequenos trabalhos de construção que fariam melhorar a economia do concelho, coisa que não é de somenos importância.

Criar um pelouro que dê especial relevância às escolas, fomentando o desporto nas camadas mais jovens e ao mesmo tempo ocupando lugares como o pavilhão do Arco da Calheta que custou milhões e hoje não é mais do que uma tasca.

Sendo o concelho dono de uma frente mar muito grande, fazer um esforço “enorme” para potenciar o Club Naval da Calheta sem correr o risco de por á sua frente alguém de “confiança” e apostar num desportista nato.

Não deixar por mãos alheias a divulgação das potencialidades das nossas serras para a pratica de desportos ditos radicais, sejam o todo o terrenos para bicicletas, a caminhada e todos os outros inerentes. Que se dê o mesmo relevo e apoio aos que de uma forma ou outra divulgam as nossas belezas naturais, aqui cabe também á radio local, felizmente com grande cobertura, ter uma atenção especial na divulgação desses acontecimentos.

Se me perguntarem se há gente suficiente pra elaborar um plano pra uma Calheta VIVA, e agora com a elaboração de novas listas, estou em crer que não, mas não me perturbaria nada ver a Câmara Municipal com mais vereadores “escolhidos pelas suas competências e não por o ser serventilismo doente” ou até adjuntos para os que existem/existirão. Mas por favor antecipem-se, façam uma Calheta diferente, que não sejam só arraiais, de vinho seco e musica pimba em cima de parques de estacionamento mal cuidados.