Paulo Andrade Lamentavelmente nos últimos tempos é recorrente lermos ou ouvirmos notícias de suicídios, quer na região ou no país em geral. Em 1897 Émile Durkheim concluiu a sua obra sobre o Suicídio onde descreveu e distinguiu três tipos de suicídio, o egoísta, o altruísta e o anômico. O egoísta, como o próprio nome indica, caracteriza-se pelo fato dos interesses individuais se sobreporem aos interesses da própria sociedade. Segundo o autor isto acontece principalmente nas “sociedades superiores”, ou seja, nas sociedades ocidentais com determinadas carências de integração entre sociedade e indivíduo. Ora quando a sociedade, por alguma falha, não consegue penetrar os seus valores colectivos de pertença e existência no indivíduo e este está a vivenciar alguma decepção ou desilusão na sua vida particular pode causar a sua própria morte. Quanto ao suicídio altruísta, ao contrário do anterior, o excesso de integração social pode levar ao suicídio altruísta, o caso dos suicídios religioso, ceitas. No que respeita aos suicídios anômicos, as épocas de crises económicas densas e abruptas, que alteram de maneira significativa os valores sociais do colectivo e afetam com relevância o quotidiano do individuo e causam o suicídio anômico. Este tipo de suicídio acontece quando o indivíduo não reconhece mais a sua função e utilidade numa sociedade por causa de uma transformação criada por ela própria, que suprime os valores que davam sentido à existência individual. É com este ultimo tipo de suicídio que podemos explicar o aumento de notícias de suicídios, os indivíduos cada vez mais se sentem “inúteis” e desligados dos laços que os unem à sociedade. Por isso peço aos nossos governantes que repensem as politicas e que reflictam muito bem antes de proporem e promulgarem leis se não continuaremos a ouvir crescentemente notícias de suicídios no nosso país.