Óscar Cid Vieira Gonçalves, Emigrante na Venezuela Venho por este meio manifestar o meu desagrado e repúdio por situações que, pelos vistos, continuam a acontecer no Funchal. Na última quarta-feira, a minha mãe, que é residente na freguesia de Santa Luzia, deslocou-se ao centro de saúde do Bom Jesus, ou seja, na sua área de residência, com o objectivo de pedir uma receita para adquirir medicamentos de que necessita. Foi atendida por uma funcionária, de nome Ana, que ao verificar a ficha verificou que a minha mãe há algum tempo que não comparecia naquela unidade de saúde. A minha mãe explicou-lhe, então, que isso se devia ao facto de ter passado algum tempo na Venezuela e de ter recorrido a médicos particulares. Nessa altura, a dita funcionária mudou o tom de voz e, de forma agressiva, dirigiu-se à minha mãe da seguinte forma: “Se a senhora vive na Venezuela não tem que vir para a Madeira pedir medicamentos que são pagos pelos nossos impostos e que são direitos dos madeirenses”. Calmamente, a minha mãe explicou-lhe que tem residência no Funchal e que paga impostos na Madeira, pelo que tem os mesmos direitos de qualquer outro madeirense, incluindo da funcionária. A tal Ana insistiu que não queria saber e disse à minha mãe para se inscrever como turista no Hospital do Funchal para ter acesso à assistência médica. A minha mãe não discutiu e regressou a casa. Horas mais tarde, o meu irmão deslocou-se ao centro de sáude, explicou a situação e pediu o livro de reclamações. A Chefe de Serviço deu-lhe razão e pediu desculpa pelo sucedido. Cara Ana, para que saiba, a minha mãe tem os mesmos direitos que a senhora, por ser residente no Funchal. O facto de passar parte do seu tempo na Venezuela não lhe retira nenhum direito! A senhora sabe, por acaso, que se não fosse pelos emigrantes que se encontram nos quatro cantos do Planeta e que enviam as suas poupanças para os bancos portugueses, talvez estes já não existissem?! Mais: neste momento, na Venezuela, existem muitas empresas portuguesas, algumas das quais com sede no Funchal, e é graças a elas que conseguem manter postos de trabalho em Portugal. Caso a senhora não saiba, várias figuras políticas Regionais visitaram recentemente a Venezuela e apelaram à ajuda dos luso-venezuelanos, pedindo para que não deixem de investir na Madeira. O que eu pretendo com esta carta é chamar a atenção para este tipo de discriminação contra os madeirenses que tiveram que emigrar em busca de uma vida melhor.