Estou surpreendido com os últimos acontecimentos políticos no nosso país. Fiquei surpreendido com a declaração do nosso Presidente da República, quando “pediu” um governo de salvação nacional. Surpreendido, pois tinha a mesma opinião, desde a primeira hora. Só não percebi porque demorou quase uma semana a dizer isso aos partidos e ao país. Imagino um CEO de uma grande empresa a demorar uma semana para decidir algo vital para a sua empresa, ouvindo os trabalhadores e sindicatos. O mais certo, seria não tomar decisões ou ainda mais certo, ser despedido por não saber tomar decisões. Quando se ocupam determinados lugares, temos de saber tomar decisões e acima de tudo ter a consciência das consequências de uma não decisão ou do atraso que ela pode ter. Sou apologista que o país precisa neste momento de um acordo entre os três maiores partidos, um tipo de “troika política”. Nesta fase, precisamos de estabilidade política, de compromissos estratégicos a longo prazo, independentes dos partidos políticos e dos ciclos eleitorais. Precisamos de uma consciência acima dos partidos e dos políticos. Precisamos de saber e entender que o país e as pessoas são muito mais importantes que os partidos políticos. Fiquei abismado por saber que, após quase três dias de sucessivas reuniões entre PSD/CDS e PS, afinal não foi possível chegar a acordo. Mas como é isto possível? Se estes políticos estivessem desempregados ou sem alternativas, não chegariam a acordo? Continuo a ver um país com políticos muito distantes da realidade do povo e enquanto assim for, estou certo que iremos no caminho errado. Só tenho pena de sentir que são quase sempre os mesmos a arcar com as consequências. Os políticos e os partidos não estão à altura do povo e do país que têm. Tudo isto tem de mudar e rapidamente. Continuamos a pensar em eleições e ciclos eleitorais e isso fala mais alto que as necessidades do povo, da economia, da estratégia nacional, da criação de emprego, do desenvolvimento económico… assim não há volta a dar. Precisamos mesmo, hoje mais do que nunca, de uma solução de Salvação Nacional.
Pedro Calado, Vice-presidente da CMF