No entanto, promete-se a criação de mais espaços culturais quando o problema da cultura regional não reside nesta matéria, pois existe muito património cultural edificado um pouco por toda a ilha e tão desaproveitado, falta sim a valorização da competência humana, pois são as pessoas que constroem a identidade dos lugares e não o inverso.
Infelizmente só se pensa em construir para satisfazer os caprichos de alguns privilegiados, não se questionando como posteriormente obter o dinheiro para a manutenção e a dinamização das atividades para os quais foram projetados.
Descentralizar não é só levar o doutor da cidade para o campo, é levar a cultura às pessoas, mudar o epicentro dos eventos, valorizar a localidade e consequentemente as suas gentes. Não é só dar abrigo aos artistas que nos visitam, mas também criar condições para que os artistas residentes possam levar as suas criações a outras paragens... (e por favor, diversifiquem!).
A cultura envolve várias áreas do saber e infelizmente nem todas são cotadas da mesma forma. Os apoios continuam a ser mal distribuídos porque nunca existiu na nossa região uma política cultural com critérios credíveis, havendo sempre uma promiscuidade onde por vezes são os próprios agentes culturais os grandes defensores das “capelinhas.”
Patrícia Sumares Professora