O modelo de governação e gestão das sociedades está velho. Prescreveu Se há características que possam definir os dias de hoje, em diferentes sectores, processos e respostas necessárias, a complexidade e integração talvez sejam as que mais se evidenciam, chamando, por isso, a atenção para a necessidade de outras formas de olhar e estruturar a gestão dos sistemas sociais económicos e políticos. Não porque as relações entre as pessoas se tenham diferenciado muito do que sempre foram mas, porque outros factores determinam o sentido do viver e do bem comum futuro. É verdade que estamos todos mais perto uns dos outros, mesmo sendo muitos mais e nada escapa ao conhecimento e aparente controlo de tudo o que se passa. Isto acontece por via das tecnologias disponíveis e pela velocidade de processamento e massificação da informação ou mesmo dos materiais e produtos, transformando, o que antes seria uma transformação revolucionária, por defeito, ocasional, a um estado de permanente transição. Vivemos por isso num mundo em transição, como sempre, mas, agora a uma velocidade significativamente maior e num alcance de natureza global. É esta a natureza actual do que tradicionalmente se chamava mudança. A diferença é que a mudança, brusca ou suave, seguia sempre um determinado sentido, mesmo que contrário à vontade. Diferente, para melhor ou para pior mas, sabendo-se sempre para onde. A transição sendo constituída por dinâmicas de mudança, distingue-se desta pelo facto de se prolongar em si mesma, sem a necessidade de um sentido orientador, gerando incerteza e instabilidade sem que se saiba se algum dia se regressará à calma. Incerteza. Nesta tipologia de ambiente, as respostas tradicionais não funcionam. Aliás nem têm sequer aplicabilidade porque a própria formulação tende para uma vulnerabilidade resultante da impossibilidade de previsão. Entra-se então numa espécie de “chuva no molhado”. Faz-se qualquer coisa porque há que fazer alguma coisa mesmo sabendo que tal coisa não dá em nada de concreto. Tem sido esse o problema na abordagem a muitas das questões que preenchem os dias destes tempos de transição. Pensar que se trata de uma mudança, esperando que as coisas se acalmem ou pensando que depois da tempestade vem a bonança não percebendo que pode haver sol no meio de uma tempestade. O modelo de governação e gestão das sociedades está velho. Prescreveu, do mesmo modo que deixou de fazer sentido o clã ou as paredes do castelo medieval. Num mundo em constante transição, há que encontrar um modelo de gestão adaptativa, estruturado em conhecimento, capaz de acomodar e incorporar informação gerada a qualquer momento, se necessário, mudando a própria gestão. Há que identificar os recursos disponíveis e associar critérios de sustentabilidade para o seu uso, inscrevendo normas de acesso e uso sob uma justiça social que clarifique direitos e responsabilidades. Atendendo à natureza global das questões e das soluções, é necessário encontrar novas forma de cooperação internacional que por seu lado não excluam o potencial da subsidiariedade nas estruturas de tomada de decisão, em particular ao nível local. Complementarmente, são necessários novos mecanismos de resolução de conflitos que permitam coordenar os múltiplos interesses legítimos de todas as partes interessadas, garantindo a participação responsável e a procura de soluções de compromisso em vez de consensos vazios. Como se faz então a mudança necessária para que se possa gerir em modo permanente de transição, é o desafio que está sobre a mesa. António Domingos Abreu
O modelo de governação e gestão das sociedades está velho. Prescreveu
Se há características que possam definir os dias de hoje, em diferentes sectores, processos e respostas necessárias, a complexidade e integração talvez sejam as que mais se evidenciam, chamando, por isso, a atenção para a necessidade de outras formas de olhar e estruturar a gestão dos sistemas sociais económicos e políticos. Não porque as relações entre as pessoas se tenham diferenciado muito do que sempre foram mas, porque outros factores determinam o sentido do viver e do bem comum futuro. É verdade que estamos todos mais perto uns dos outros, mesmo sendo muitos mais e nada escapa ao conhecimento e aparente controlo de tudo o que se passa. Isto acontece por via das tecnologias disponíveis e pela velocidade de processamento e massificação da informação ou mesmo dos materiais e produtos, transformando, o que antes seria uma transformação revolucionária, por defeito, ocasional, a um estado de permanente transição. Vivemos por isso num mundo em transição, como sempre, mas, agora a uma velocidade significativamente maior e num alcance de natureza global. É esta a natureza actual do que tradicionalmente se chamava mudança. A diferença é que a mudança, brusca ou suave, seguia sempre um determinado sentido, mesmo que contrário à vontade. Diferente, para melhor ou para pior mas, sabendo-se sempre para onde. A transição sendo constituída por dinâmicas de mudança, distingue-se desta pelo facto de se prolongar em si mesma, sem a necessidade de um sentido orientador, gerando incerteza e instabilidade sem que se saiba se algum dia se regressará à calma. Incerteza. Nesta tipologia de ambiente, as respostas tradicionais não funcionam. Aliás nem têm sequer aplicabilidade porque a própria formulação tende para uma vulnerabilidade resultante da impossibilidade de previsão. Entra-se então numa espécie de “chuva no molhado”. Faz-se qualquer coisa porque há que fazer alguma coisa mesmo sabendo que tal coisa não dá em nada de concreto. Tem sido esse o problema na abordagem a muitas das questões que preenchem os dias destes tempos de transição. Pensar que se trata de uma mudança, esperando que as coisas se acalmem ou pensando que depois da tempestade vem a bonança não percebendo que pode haver sol no meio de uma tempestade. O modelo de governação e gestão das sociedades está velho. Prescreveu, do mesmo modo que deixou de fazer sentido o clã ou as paredes do castelo medieval. Num mundo em constante transição, há que encontrar um modelo de gestão adaptativa, estruturado em conhecimento, capaz de acomodar e incorporar informação gerada a qualquer momento, se necessário, mudando a própria gestão. Há que identificar os recursos disponíveis e associar critérios de sustentabilidade para o seu uso, inscrevendo normas de acesso e uso sob uma justiça social que clarifique direitos e responsabilidades. Atendendo à natureza global das questões e das soluções, é necessário encontrar novas forma de cooperação internacional que por seu lado não excluam o potencial da subsidiariedade nas estruturas de tomada de decisão, em particular ao nível local. Complementarmente, são necessários novos mecanismos de resolução de conflitos que permitam coordenar os múltiplos interesses legítimos de todas as partes interessadas, garantindo a participação responsável e a procura de soluções de compromisso em vez de consensos vazios. Como se faz então a mudança necessária para que se possa gerir em modo permanente de transição, é o desafio que está sobre a mesa.
António Domingos Abreu