Se é verdade que o turismo, em geral, e a hotelaria, em particular, são negócios sazonais na ilha, o certo é que o transporte aéreo não pode ser descurado, nem as soluções adiadas por muito tempo, tendo em conta que o prazo que decorre entre o anúncio de abertura de uma linha e a sua real implementação é normalmente de seis meses. E isto é comum, quer para minorar a chamada dupla insularidade, quer para desenvolver e fazer crescer a principal actividade da ilha.
E não se esperem facilidades, porque os tempos são difíceis e será preciso lutar e fazer algum trabalho de gabinete para ultrapassar a insensibilidade de alguns departamentos governamentais.
Está em curso a renovação do contrato de serviço público para a linha regular entre as duas ilhas do arquipélago, que sabemos Lisboa quer impor com saída diária de Porto Santo para a Madeira, por considerar que a subsidiação da linha é para servir os portosantenses e não os turistas que se deslocam entre as duas ilhas. O avião passará o dia na Madeira após o que regressa ao Porto Santo, no voo da noite.
Nada é definitivo, apenas uma proposta, a qual foi colocada pelo Governo de Passos Coelho para ser avaliada pelo Governo Regional. Por outro lado, embora a SATA tenha feito um negócio muito interessante nesta rota, nos últimos anos, os açorianos têm mostrado algum incómodo em ter na Madeira um avião que, por vezes, faz falta nas ilhas açorianas. Isto tudo junto com a falta de tripulações, uma situação conjuntural porque passa a companhia, actualmente também a sofrer alguma alterações, pode afectar o que se esperava ser uma renovação do contrato sem grandes mudanças.
Contudo, mais importante que isso será garantir um transporte aéreo regular do exterior da Região Autónoma, de Lisboa, por exemplo, a preços que cativem durante todo o ano, uma clientela que gosta de praia e de golfe. São segmentos, talvez opostos, mas que podem conviver na ilha do Porto Santo.
Quanto ao Grupo Pestana, maior empregador da ilha, de Maio a Outubro, continua, e muito bem, a tomar decisões, de forma a garantir o acesso dos seus clientes. Por isso já garantiu o terceiro voo semanal do Reino Unido, no próximo Verão, para a ilha do Porto Santo.
Catanho Fernandes Jornalista