O País está esgotado. A crise política em que estamos mergulhados não augura nada de bom nem nos dá esperança no futuro. A coligação no poder tem-nos tratado como “ratinhos de laboratório” durante os últimos dois anos. Como o alvo predileto dos seus ensaios económicos e sociais, que nos subtraem direitos fundamentais, que nos empobrecem e nos atiram para máximos nunca vistos no desemprego e para falências em catadupa no tecido empresarial. Têm andado a jogar com a nossa sorte. O triste espetáculo que nos têm oferecido nas últimas semanas comprova o inimaginável e demonstra que esta classe política só tem um projeto: o seu próprio. Não enxergam para além do seu umbigo. Esta gente não estava à altura das responsabilidades que quiseram assumir. São incompetentes, egoístas e teimosos. No meio deste turbilhão esqueceram-se que a dignidade das pessoas não tem preço. Perante a convulsão, o Presidente da República decidiu rumar às ilhas Selvagens, numa excursão onde se incluiu o presidente do Governo Regional, o mesmo que há não muito tempo o tratava por “Sr. Silva”. A extensão deste artigo é reduzida para transcrever todos os mimos com que Jardim brindou Cavaco. Um mar de cinismo abominável. É este o Presidente da República, que agora roga por um acordo de salvação nacional, a ser subscrito pelo PSD/CDS e PS, o mesmo que tem estado de olhos fechados aos muitos atropelos que se têm cometido na Região Autónoma da Madeira. O mais recente episódio de baixaria política ocorrido na passada semana na Assembleia Regional, que opôs Jaime Ramos e Vítor Freitas (PS), é apenas mais um lembrete de como tudo funciona por essas bandas. Cavaco Silva, calado consente. Chegamos ao grau zero da credibilidade dos políticos e dos seus partidos, que se esgotam eternamente nos respetivos aparelhos viciados. Este sistema está exaurido, esfarrapado e cada vez mais bafiento e apodrecido. Guerras de delfins, guerras pessoais, vaidades extemporâneas levam-nos a concluir que não existem pessoas sérias no espetro partidário que sejam capazes de governar sem estarem permanentemente a olhar para a perpetuação do poder ¬- no fundo a tratarem da sua própria vidinha. Mais, que sejam capazes de nos devolver a confiança e a esperança. Na Madeira, nada de novo: falta o básico, o desemprego aumenta e até a fruta andou arredada das ementas hospitalares, os lençóis frescos rareiam nas enfermarias e os medicamentos têm de ser levados aos doentes internados pelos seus familiares. Esta situação não acontece na Guiné-Bissau, em São Tomé ou em Moçambique. Acontece na Madeira, naquele que já foi considerado pelos paladinos da autonomia como um dos melhores sistemas de saúde do País.

2. O País vai ser chamado a votos em setembro próximo. As eleições autárquicas vão movimentar um grande número de candidatos. Vejo com curiosidade a proliferação de movimentos de cidadãos livres, capazes de removerem do poder os políticos profissionais. No Funchal e em Santa Cruz há essa grande possibilidade. Espero que tenham uma vontade inequívoca em servir, fora da hierarquia partidária cega e à satisfação dos egos de boys e girls que pululam as fileiras dos partidos. Temos de atuar em conformidade e de julgar nas urnas os que não cumprem, os que desrespeitam, os que se apresentam apenas sob a capa de projetos pessoais, ligados a um regime doente, que decapita todas as iniciativas que não sejam suas, inebriado pelo poder conquistado à custa da muita inoperância cívica e da propagação de falsas promessas.

Roberto Ferreira