Vítor Gaspar já não é o ministro das Finanças de Portugal. E Portugal rejubilou! Daqui a uns tempos, cai o Governo da República e o Portugal vai voltar a rejubilar. Resta saber se os portugueses já pensaram no que acontece a seguir aos rejúbilos, por mais enérgicos que sejam. Nos casos em apreço, dificilmente voltaremos a ter um ministro das Finanças tão competente. É verdade que falhou várias vezes as previsões. É verdade que carregou demasiado nos impostos. É verdade que sabia o que dizia, e os portugueses preferem políticos que digam aquilo que eles gostam de ouvir. O resto... logo se vê. Em relação ao Governo da República, que está para cair mais mês menos mês, acontecerá que será substituído por outro que vai fazer o mesmo que este está a fazer. Com uma diferença: não haverá mais nenhum primeiro-ministro, de partido nenhum, que assuma não importar-se com o resultado das eleições seguintes. Esse desapego representa algo a que só daremos importância daqui a uns tempos, quando os políticos que se seguirem – do PS, ou do PSD quando regressar depois ao governo – voltarem a implementar as poucas vergonhas (não todas, ainda!) que o actual governo teve o mérito de acabar ou disciplinar. Voltando ao ex-ministro Vítor Gaspar, não creio que seja o responsável pelo desespero dos portugueses, apesar dos desvios às suas previsões. Vendo bem, Gaspar fez o seu trabalho. Os outros ministros fizeram o ‘seu’? Não, definitivamente não. Que dizer dos resultados no campo da economia, da indústria?