De entre uma lista quase infindável de aspectos que podem contribuir para o sucesso no Futebol, Sven Goran Eriksson atribui a primazia à “confiança”.
Este antigo treinador do Benfica, no seu brilhante livro “On Football”, justifica a sua escolha dizendo que a sua falta pode transformar um bom conjunto de jogadores numa equipa medíocre, tal como, em sentido inverso, a sua presença é uma força imprescindível aos campeões.
Advoga, em coerência, que um bom treinador não pode esquecer o papel da “confiança” no seu processo de treino. Procurando que os seus exercícios tal como, em sentido lato, a sua própria liderança, sejam capazes de aumentar os seus níveis na mente dos seus jogadores. E nunca os diminuir! De facto, em cada época desportiva, acabo por encontrar invariavelmente no discurso dos treinadores que orientam as equipas de maior sucesso, precisamente este “traço” comum: a capacidade de reforçar a “confiança” no seio da sua equipa!
Num círculo “virtuoso” em que o discurso “positivo” e “optimista” eleva a “segurança” da equipa nas suas capacidades e, assim, as probabilidades de alcançar bons resultados. E as vitórias, por sua vez, incrementam naturalmente ainda mais a “certeza” em que podem ser bem sucedidos… E se os treinadores ambicionam que a sua equipa entre neste “círculo virtuoso”, também têm a noção que devem a todo o custo evitar o “círculo vicioso” em sentido contrário.
É por isso que cada vez que oiço um líder a discursar pergunto-me em que medida estará a ser (ou não) equacionado este conceito. Tão simples mas com um enorme papel no rendimento de um indivíduo, de um grupo, de uma equipa ou até de uma nação.
Afinal quem será capaz de “investir” (não só o seu dinheiro, mas também a sua energia e competência) num país onde, à custa da austeridade, parece ter desaparecido a “confiança”!
Nelson Caldeira