Numa altura em que muitos jovens vivem a expectativa de entrarem no ensino superior e outros se encontram já em fase final dos seus cursos, torna-se recorrente a reflexão sobre as vantagens ou não da aposta neste tipo de formação. Comecemos por notar que houve um grande incremento no número de diplomados com formação superior. Estudo recente, apoiado pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), sobre empregabilidade e ensino superior em Portugal, mostra que a sua percentagem, quando entram pela primeira vez no mercado de trabalho, sofreu uma evolução positiva entre 2002 (14,4%) e 2009 (23,9%). Se nos restringirmos a mestres e doutores, a evolução é de 3,6% para 7,5%. Discute-se na comunidade académica se há vantagens ou não em intercalar esta longa formação superior com passagens pelo mercado de trabalho. As instituições necessitam, nesta matéria, de promover uma estreita ligação ao tecido empresarial e de aproveitar as oportunidades disponibilizadas nos financiamentos para projetos de empreendedorismo e de investigação científica. De todo o conjunto de dados, análises, reflexões e propostas que o estudo apresenta, devem isolar-se, neste contraponto com a identificação de aspetos menos bons da evolução do Processo Bolonha, os dados sobre o primeiro emprego e respectiva remuneração dos diplomados do ensino superior. Em primeiro lugar, o estudo demonstra que existe maior probabilidade de associação entre habilitações escolares mais elevadas e remuneração. A título de exemplo, verifica-se que os indivíduos com formação de ensino superior auferiram, em 2002, uma remuneração média de 1149€, contra 570€ das restantes formações, e, em 2009, respetivamente, 1128€ e 678€. Quando discriminada por graus académicos, a remuneração média, considerando apenas o ano de 2009, foi de 978€ para os bacharéis, de 1120€ para os licenciados, de 1226€ para os mestres e de 1789€ para os doutorados. Estamos, portanto, em presença de um cenário de evidente vantagem da formação de ensino superior, para aqueles que, durante o referido período, acederam ao mercado de trabalho. A redução salarial generalizada que entretanto afetou a população em geral teve também repercussões nos diplomados, sem, contudo, pôr em causa a tendência reportada. Por outro lado, se pensarmos em termos de empregabilidade, embora o número de diplomados desempregados tenha subido em consequência da crise, continua a ser, em percentagem, muito inferior aos outros. O relatório anual do Observatório de Emprego e Formação Profissional (OE-UMa) refere que, entre os anos letivos de 2006/07 e 2011/12, os diplomados na RAM, com licenciatura, apresentam taxas de desemprego inferiores às restantes formações, fixando-se numa variação entre 7,1% e 8% do total de desempregados. A generalidade da investigação realizada sobre este assunto tende a demonstrar que a aposta na formação de ensino superior vale a pena.

Sílvio Fernandes *