De um modo geral, os jovens, em idade escolar, não valorizam os cuidados primários de saúde e a maioria procura um médico de família, um enfermeiro ou outro técnico da especialidade não para consultas de rotina ou de prevenção, mas apenas em contexto de doença ou para os casos obrigatórios de vacinação. Por outro lado, surgem nas escolas situações de emergência com a necessidade de se prestar os primeiros socorros, alguns simples, outros bastante complicados, mas por causa da especificidade deste tipo de auxílio, do seu caráter urgente e pela responsabilidade que implica, considero fundamental a recuperação dos gabinetes médicos nas escolas. Estas estruturas assumiriam novas valências e deveriam ser geridas por enfermeiros com o objetivo de garantir a prestação de serviços de saúde com qualidade aos alunos, não só nos acidentes do dia-a-dia, doenças súbitas ou outras ocorrências graves, mas também em termos da promoção dos cuidados primários de saúde. Estes profissionais deveriam trabalhar em parceria com outras instituições, dando continuidade ao trabalho que já se vem fazendo. Poderiam desenvolver projetos de formação e sensibilização relacionados com as problemáticas que fazem parte do desenvolvimento integral dos alunos, como por exemplo, planeamento familiar, educação sexual, vacinação, rastreios visuais e auditivos, infeções, higiene pessoal, alimentação, obesidade e toxicodependências. Garantiriam ainda um maior apoio aos alunos com doenças muito complexas que necessitam de um acompanhamento especializado. Estes gabinetes instalados nas escolas, como estariam mais próximos dos jovens e, de certa forma, das famílias, juntamente com os professores, poderiam desenvolver um trabalho mais profissional, mais rigoroso e eficaz na área da intervenção imediata, bem como na prevenção e promoção dos hábitos de vida saudável.

Rui Caetano