Conceição Pereira O senhor Ferreira fez publicar uma carta do leitor no DN de 14/07/2013 com o título “E se...!”. Este senhor apresenta-nos um cenário de preocupação em relação às próximas eleições autárquicas, com medo não haja maiorias e as autarquias fiquem ingovernáveis. No entanto, o que transparece dessa carta não é medo, mas sim uma incitaçãoà abstenção. “Como será se numa das autarquias nenhuma das forças concorrentes obtiver maiorias, que diga-se de passagem acho quem vai ter a maioria em todas elas será o “partido”da abstenção...” Esta teoria já é por demais conhecida. Ninguém presta, não há nada a fazer, que é o mesmo que dizer: no votem, não vale a pena, ganhará o partido da abstenção que, no dizer do dito cujo “aquele em quem a maioria dos eleitores se revêm e que nunca os enganou...” Mas não é isto que tem acontecido. Quem se deixou ficar em casa e não foi votar, deu força ao partido no poder para continuar a fazer as tais dívidas que agora estamos a pagar ao preço que a troika nos impôs. Afinal, o que ganharam os abstencionistas? Não lutaram, não tomaram posição nem contra nem a favor e estão a pagar como os outros. Resumindo e concluindo: estas teorias servem para afastar o eleitorado da luta pelos seus direitos. E isto serve para quê? Ou o objectivo é deixar campo aberto para o partido que tem conseguido maiorias ao longo dos anos para continuar a sua política de destruição das nossas vidas e da nossa região ou, mais macabro ainda, fazer potica populista para depois acabar com o sistema democrático e instalar um novo regime ditatorial sobre o povo, uma vez que, segundo a teoria de alguns, a democracia não funciona e vamos nós (eles) para o poder governar com “autoridade”. E teríamos novamente um ciclo de terror. Espero bem que os eleitores ainda se recordem tempo da ditadura e vão votar, porque esse direito ainda não nos tiraram e não deixem as suas vidas nas mãos desses bem falantes. “Cantas bem mas não me alegras”.