Vamos promover a qualidade. Vamos deixar de descontos, e de deixar de tentar atrair o cliente pelo preço (mais) baixo que lhe podemos fazer. Não sei em que medida a atribuição está correcta, mas diz-se que quando o bisneto de Carlos de Áustria visitou a Madeira, terá dito que o que faltava à Madeira para voltar a conseguir atrair o seu mercado de eleição era “restaurantes com imaginação, hotéis de cinco estrelas a preços que não fossem da chuva (…)”, para além de uns comentários muito pouco abonatórios em relação aos táxis madeirenses. Não sei se ele teria razão em relação aos táxis (como em todas as profissões deve havê-los bons e maus, sérios e desonestos), mas em relação aos outros dois, acertou na mouche. Com muito poucas excepções, a restauração madeirense é mais do mesmo, embora admita que na maior parte dos restaurantes que conheço os resultados sejam bons. Mas seria possível fazer tanto mais com a mesma matéria-prima…
No que diz respeito aos hotéis de cinco estrelas, há uns anos chegava-se ao cúmulo de tê-los mais baratos que os de quatro. Resultado, os clientes captados para estes hotéis não correspondiam ao perfil dos hotéis, e os padrões de expectativas não se cumpriam.
É um daqueles casos em que o domínio dos ‘tour’ operadores levou a que os preços fossem descendo (na hotelaria e na restauração), diminuindo os proveitos gerados e a sustentabilidade da hotelaria, e de todo o sector de turismo madeirense. Temos de fazer com que os preços da hotelaria e da restauração voltem a subir. Para que os proveitos do sector cresçam. Mas este aumento de preços terá de ser acompanhado por incrementos de qualidade e de imaginação nos serviços prestados por estes sectores.
Roberto Loja