Com a aproximação de eleições é habitual verem-se políticos eleitos afirmar que “querem governar para as pessoas” que vão fazer isto e aquilo quando nos 4 anos que durou o seu mandato não levaram tal desejo á prática, ou, pelo menos, não tentaram o suficiente.

E, assim é também, no concelho onde nasci e vivi a minha juventude, o Porto Moniz, pois se agora os autarcas com a responsabilidade do executivo camarário dizem que vão desenvolver o turismo de nichos (que não estou em desacordo), designadamente, entre outros, os caminhos a pé, é de perguntar porque não o fizeram já, quando eu próprio e os deputados municipais do PS que me têm acompanhado na Assembleia Municipal sugerimos logo no início da legislatura tal tipo de iniciativas e apenas se iniciou uma recuperação de uma vereda (Chão da Ribeira-Rabaçal) que nem sequer foi acabada?

Será porque o que é sugerido pela oposição não deve ser tido em conta para que eventuais louros não caiam em mãos alheias, segundo a sua lógica de poder?

Mas, e o interesse dos munícipes e dos turistas que poderiam tirar proveito dessa e de outras veredas que enriquecessem a oferta turística do concelho disfrutando da sua imensa floresta laurissilva?

É por isso que a simples mudança pode trazer em si mesma uma nova esperança, no sentido em que nem sempre a verdade e a capacidade de realizar é exclusivo de uns, enquanto a outros só cabe obedecer. Sabemos que a natureza humana não é assim e que por vezes capacidades inibidas ou recalcadas impedem a emergência de potencialidades criativas que podem fazer mudar o curso das coisas ao trazer novas ideias e novas práticas de governação colectiva.

É por isso, também, que “dar a oportunidade ao outro” pode fazer nascer qualidades inesperadas e um maior empenho de quem chega de novo e quer mostrar que também é capaz de amar e trabalhar pelos seus concidadãos.

No caso presente, se a ideia é aumentar a permanência dos turistas que visitam o Porto Moniz, fazendo-os dormir uma ou mais noites no concelho, porque se espera pelo fim do mandato quando os hotéis padecem de fraca ocupação e da rentabilidade inerente e quatro anos de perdas podem ser o suficiente para deitar um negócio por terra?

Por isso, digo, falar (e prometer) é fácil, mas fazer é muito melhor e mais gratificante para quem pensa nos outros e não apenas nas tácticas de um partido ou na obediência aos seus chefes.

Assim, não deixemos mais que políticos profissionais pensem e ajam por nós, comecemos a demonstrar já que também temos capacidade de pensar, de ver o que está bem e o que está mal, de ver o que se fez de bom e o que se fez de mal, e de dizer basta de nos tratarem como seres menores e acabarem por fazer o que só eles acham correcto, mas sem se responsabilizar pelos males que causam e pelas obras feitas para nada, enquanto o povo vai perdendo poder de compra para poder pagar os custos dos desmandos desses governantes sem que para isso tenham sido avisados que tal podia acontecer, que era um risco que poderiam correr, ao votar neles.

Nuno Jardim Fernandes