Já foi outro tempo ou não terá sido antes outro modo pomposo de parecer, face a uma realidade sem alicerces que objetivamente não se procurou questionar? Como por milagre, e expiados os pecados, surge entre o nevoeiro um singular conceito que passa por se fazer muito melhor, mas com menores recursos.
Inquestionavelmente, descobre-se, mesmo debaixo do nariz, a fórmula mágica que resolve todas as equações. Contudo, antes de irmos ao fundo do enigma, e para que a viagem dialética não seja oca, encomendem-se já estudos com base científica que garantam que o fundo sempre existiu, independentemente da sua dimensão. Sem isso, qualquer investimento em alta tecnologia, para a necessária perfuração, arrisca-se a não ter retorno, embora não seja por uma mera derrapagem que o plano das «bolas de sabão» deixe de avançar, mesmo prevendo-se com rigor que possa «in extremis» abortar. É um risco estritamente calculado que correm as inteligências mais avançadas. Mas, se há consenso, profundamente alargado, à volta da tese irrefutável; se há também a certeza transparente da sua existência então que se dê despacho, com carácter de urgência, ao andamento do processo que finalmente irá permitir erguer o mesmo edifício nas mesmas bases daquele que acabou por ruir. A teoria do poço sem fundo nunca passou de um contra-ataque silencioso de uma manipulação subterrânea que visava a destruição de um projeto de crescimento sem desenvolvimento da «belle époque». Sem cosméticas em termos de planeamento (mesmo sabendo de antemão que o discurso do comício não é exequível na praça da vida) há que ver para além dos metros quadrados dos gabinetes e claramente acima das lentes da mediocridade absolutista, traçando a tinta da china uma fronteira coerente e invariável que demarque, sem desvios ou lóbis, o que é altamente profissional e o que é assumidamente amador. Ou há coragem na opção política, sem influência partidária, ou haverá fatalmente despiste ou colisão na moderna autoestrada que nos levará a um nivelamento que os especialistas conhecem como as linhas das suas mãos.
Juvenal Xavier