A linguiça é um enchido em forma de salsicha feita de carne de porco, de aves, de carneiro ou de bovinos, consoante a região. Existem algumas receitas que podem ser consumidas frescas, mas a mais conhecida é a que sofre um processo de cura e conservação por meio de defumação.

No norte da Madeira era hábito - sim, era, porque já são bem poucas as pessoas que ainda fazem este tipo de enchidos - nas oitavas do Natal, após a morte do porco para a festa, fazer o enchimento das tripas que entretanto tinham sido secas ao sol.

A linguiça depois de pronta tem um formato curioso, são vários círculos contínuos, semelhante a uma serpentina.

Esta iguaria era enfiada num pau de louro e conservada no fumeiro. Servia normalmente para colocar no pão que se levava na sevadeira para a serra, para a fazenda ou mesmo para acompanhamento de refeições.

À semelhança do que se passava com o porco existia uma “disputa” entre a população para saber quem tinha a melhor e mais saborosa linguiça e era frequente no início do ano convidar os amigos para irem à loja tomar um copo e provar a iguaria. O anfitrião cortava uma ponta do enchido e oferecia na mão aos convidados e, claro, a linguiça diminuía à medida que se ia consumindo.

Era frequente também, nessa altura do ano, assistir a conversas relacionadas com a qualidade do produto como por exemplo “a linguiça do Joaquim este ano está muito seca” ou a “linguiça do Amaro está boa, a do António também, mas é mais gorda”.

Conta-se a história de que um dia José da Pedra perguntou ao Teodoro como estava a linguiça. O que este respondeu prontamente: - Vai cada vez pior. - Então porquê? - Olha, não vês? Em casa somos um magote e toda a gente tira um pedaço, está a ficar em nada, qualquer dia só tem o pau.

Está a acontecer o mesmo àquele país que fica no sul da Europa, a que ainda chamam de Portugal: tal como a linguiça do Teodoro está cada vez pior. Espero que pelo menos deixem ficar o pau, pode servir para dar umas vergalhadas em quem a roubar a linguiça ao Teodoro, ou no último caso para voltar a colocar a deste ano, sempre é menos um loureiro que se corta.

Joel Freitas