O problema não está no País! Está na atitude das pessoas que o formam e naqueles que o governam.

Portugal tem sido o exemplo da irresponsabilidade total!

Existe uma múltipla personalidade nos governos que nos têm conduzido pela história fora. Os atores da nacionalidade têm conseguido gerir o país em função dos interesses individuais, contribuindo, por isso, para o caos do colectivo.

Somadas todas essas partes nunca se obtém o país. Nada mais desgraçado para um qualquer território!

Esse tem sido o nosso destino e, infelizmente, continuará a ser. Este país não consegue mais, também, porque o povo foi habituado a ver apenas o seu, deixando-se envolver na perigosa teia de acreditar em tudo, sem capacidade crítica e instruída para discernir o que interessa, focado, apenas, nas promessas e nas facilidades.

Os episódios governativos recentes são profundamente lamentáveis e configuram um imediatismo arrepiante. Próprio que quem não consegue ver para a frente e de quem, simultaneamente, tudo vê na conquista do “agora” mas é incapaz de pensar no “depois”, sem se aperceber que este “hoje” significa, invariavelmente, uma outra grande derrota no “amanhã”. Nenhum equilíbrio se faz à força! O tempo encarrega-se de prova-lo. Vivemos dias de evidências. Não aceitar essa realidade é, simplesmente, mais do mesmo.

A Troika entrou em Portugal para ficar. E ainda bem!

Prefiro assumir a incapacidade da soberania portuguesa a ser gerido por incapazes, inconsequentes e, pior que tudo, nunca responsabilizados. É bem melhor correr outros riscos que não os mesmos que, em mais de trinta anos, nos conduziram à desgraça, mesmo lidando com uma estéril, generalizada, mediática e inexplicada intolerâncias ao erro de quem aplaudiu os anteriores e com eles viveu bem.

Não é a Troika que está em causa. O que importa é reter a razão da sua presença entre nós.

A Troika foi-nos imposta porque apesar de se saber, e muito bem, o que é preciso fazer, impera uma incapacidade governativa nacional. Mantém-se uma ausência de coragem para agir, implementar, modernizar e romper com as amarras que nos prendem a um passado que serve o comodismo e pouco mais. Importa salvaguardar a existência deste país enquanto território capaz de honrar os seus compromissos, por isso, não havendo, como nunca houve no pós revolução, capacidade interna de o garantir, então que se recorra, por opção ou imposição, a quem nos permita respirar e acreditar num futuro diferente.

Não sendo o FMI, o BCE ou a UE, serão outros que, nem que seja em nome e em representação dos nossos credores, imporão a consciência que nos falta e a maturidade que nos tarda, tudo porque vivemos numa democracia ferida do mais elementar – a justiça e a responsabilização dos seus atores.

Irremediavelmente, por agora, é tudo o que temos, num momento em que a nosso modelo político, mesmo na presença de um governo com maioria parlamentar, é incapaz de implementar as reformas que Portugal tanto precisa, mostrando fragilidades assustadoras nas cedências que, aqui e ali, vão permitindo conquistas aos grupos organizados na destruição deste mesmo país.

A hesitação paga-se caro e quando uma maioria não se impõe, as minorias ganham terreno e reforçam a ameaça das decisões precipitadas como evidenciam os exemplos mais recentes.

Infeliz e tristemente, por enquanto, a nossa salvação continua a estar lá fora.

Eduardo Jesus