Há mais de 20 anos Toffler falava-nos de três fontes radicais de controlo social (poder): violência (músculo), riqueza (dinheiro) e conhecimento (mente). E afirmava que o conhecimento era a de mais alta qualidade, a mais democrática e versátil… Ora ao nível do conhecimento somos diariamente confrontados, diríamos mesmo condicionados e manipulados (por escolas, universidades, clubes, comunicação social, governo, etc…) entre dois extremos: 1- O discurso do cientificamente provado que nos remete para pseudo verdades e certezas muito pouco científicas, como já demos conta em anterior artigo; 2- O “consta que …”, que se baseia essencialmente no boato, no alegadamente, no parece que, ou seja, na maior parte das vezes, numa mão cheia de nada com o objetivo de auto promoção (porque se diz algo que os outros não sabem) ou para denegrir ou enaltecer alguém. A ciência interpreta, com modelos cada vez mais poderosos. Se provasse… seria um dogma. A verdade absoluta seria imutável, uma vez alcançada parava. Não é isso que se verifica. O “consta que …” está de tal maneira enraizado que, muitas vezes de forma impensada, somos o seu principal sustento e fonte de disseminação. Basta que nos lembremos de alguns dos emails que reenviamos, das conversas que fazemos. O requinte chega ao ponto de muitas vezes se dizer: “eu não acredito, mas parece que …”. Ou seja, lanço a farpa mas desculpabilizo-me ao mesmo tempo. É uma espécie de gosto perverso em dizer algo, misturado com um toque de consciência ou com um lavar de mãos para não ser responsabilizado. Ora a escola e o clube, como meios privilegiados de educação (de transformação do jovem) não podem alinhar no “consta que …” nem nas verdades absolutas do “cientificamente provado”. Pelo contrário deverão promover o sentido crítico, a análise das situações, o domínio de metodologias e instrumentos … Contudo, para que isso seja possível não podemos continuar centrados na transmissão do conhecimento e “nas ditas formas certas de fazer as coisas”. No fundo, há muitas maneiras de ser desonesto, o “consta que…” e o “está cientificamente provado” são duas delas.
Hélder Lopes - Professor Universitário