Manuel João Baptista Rosa A novidade e a força da mensagem de Jesus reside no facto de considerar todos os homens filhos de Deus e indica, como estratégias para atingir tal desiderato, “amar o próximo como a si mesmo”, “o perdão” e “ a não acumulação de riqueza” (pertence a todos porque fruto do trabalho, como afirma o próprio J. M. Keynes/economista).
Num tempo em que existiam vários deuses e em que a sociedade era composta por várias classes, na base das quais se encontravam os mais necessitados/pobres/escravos, tal mensagem representava um ataque violento às classes dominantes da época. A igualdade, com tudo o que isso acarreta, era (ainda é) uma doutrina demasiado ousada e por isso mesmo Jesus foi morto na cruz (castigo usado por Roma contra os seus inimigos políticos) e os seus seguidores perseguidos de forma muito dura até ao ano 313. Neste ano, Roma corta o mal pela raiz, tal como já o havia feito com a revolta dos escravos (Spartacus), fazendo um acordo com os representantes dos cristão, mas, em troca, esta obrigava-se a suavizar a mensagem a favor dos pobres/oprimidos/escravos e contra as classes dominantes (o poder). Foi o preço que os cristãos tiveram que pagar, pela oportunidade da sua legalização e expansão, sendo o princípio da igualdade substituído pelo da caridade, supostamente semelhante, mas que, ao contrário daquele, não impõe o dever da justa repartição da riqueza, tão desejado por Jesus, mas apenas a ajuda aos mais necessitados. Este acordo marca assim o momento a partir do qual o cristianismo se afasta dos pobres e se coloca ao lado dos poderosos, prometendo àqueles a felicidade mas apenas depois da morte – “bem aventurados os pobres porque possuirão o reino dos céus” - e mesmo assim só se se portarem bem (forem submissos). Ora Jesus, algumas vezes, expressou de forma clara a sua condenação pela acumulação da riqueza material (na mão de meia dúzia) quando responde a um rico que o queria seguir: “primeiro reparte o que tens” ou quando afirma: “é mais fácil entrar um camelo no buraco de uma agulha do que um rico no reino dos céus”. Aqui está a sua principal estratégia para que aqui na terra (não nos céus) possamos ser todos filhos de Deus. Enquanto o cristianismo não tiver a coragem de (re)assumir esta mensagem irá definhar, mas, pior do que isso, estará a desrespeitar aquele que deu a vida por tão nobre princípio – Jesus.