Maria Dolores Como cliente assídua de um determinado restaurante da Estrada Monumental, foi com grande espanto e, consequente, indignação que assisti a um diálogo entre funcionários do referido restaurante.

Como boa educação, é costume deixarmos uma gorjeta pelo serviço prestado pelos empregados de mesa e cozinha do restaurante. Até aqui não há nenhuma novidade, afinal muitos de nós tem esta prática, que brinda a simpatia e préstimo das pessoas que nos serviram.

O diálogo que tive a oportunidade de ouvir deixou-me estupefacta, não só pela forma como os clientes são enganados, mas também porque os empregados vêm os seus direitos negados.

Um dos funcionários referia que uma das mesas tinha deixado uma generosa gorjeta, ao que o outro respondeu “Isso agora pouco importa, as gorjetas já não são para nós”. O primeiro funcionário, cabisbaixo, acrescentou ainda “Como se não bastasse pagarem-nos o salário tarde no mês, ainda ficam com as nossas gorjetas”.

Saí desse restaurante nessa noite, sem deixar um tostão. Afinal, esse extra deveria ser para as pessoas que nos proporcionaram um óptimo serão, desde o serviço à mesa à comida deliciosa. No entanto, isso já não se verifica.

E se é para o meu dinheiro ficar para um senhor que se quer armar em “senhor de escravos”, então prefiro continuar com o meu dinheiro na carteira. O que está a acontecer naquele restaurante, provavelmente estará a acontecer em muitos outros. E isso é gravíssimo! Vemos negado o direito que temos de ajudar quem queremos e somos levados a dar a quem não precisa.

Queria deixar um bem aja aos empregados de mesa e cozinheiros desse restaurante, pois apesar da situação descrita, não mudaram o seu comportamento. Continuam a ser gentis, simpáticos e a proporcionar excelentes momentos aos clientes que por ali passam. No entanto, não deixarei mais gorjetas, porque sei que vocês não recebem e não quero alimentar o “senhor de escravos”.