Miguel Santos Tendo vindo a insistir na questão da qualidade da água das praias de Machico, fui questionado sobre a razão da escolha deste tema, quando tantos outros problemas afligem o concelho. Apesar de ser um apreciador de praia, a razão pela qual abordei este tema é bem mais relevante: a Madeira em geral não teve a sorte de possuir recursos naturais valiosos como petróleo, ouro ou diamantes, por isso torna-se particularmente importante tirar o melhor partido de uma das riquezas que possuímos que é o acesso ao mar. Nesse particular Machico, com a sua fabulosa baía, foi especialmente feliz. No entanto, nunca se tirou todo o partido dessa vantagem. Um ponto essencial para conseguir maximizar as mais-valias das nossas praias seria a obtenção das bandeiras azuis. Naturalmente, tais galardões constituiriam uma vantagem competitiva e diferenciadora, que teriam o potencial de atrair mais visitantes da região e contribuir positivamente para a melhoria da difícil situação económica do comércio da baixa de Machico. Para além disso, constituiria igualmente um argumento na promoção turística do nosso concelho, que poderá assim eventualmente contribuir para um aumento da ocupação das unidades hoteleiras existentes. Adicionalmente, a existência das bandeiras azuis poderia constituir um incentivo extra na atracção de investimento hoteleiro privado. A construção de uma unidade hoteleira constitui um significativo investimento cujo retorno só ocorre a médio-longo prazo. Assim, dificilmente algum empresário decide avançar para a construção de uma obra dessas num local que é notícia nacional por possuir a pior qualidade de água das praias de mar de Portugal! Numa altura de crise económica, em que é particularmente complicado atrair investimento privado, há que – mais do que nunca – fazer a nossa parte para consegui-lo e não se limitar em lamentar as dificuldades…