Mário Soares voltou a dar um ar de “fixe” na forma como caricaturou de “Salta-pocinhas” o nosso ministro demissionário “irrevogável” num dia e promovido a vice-primeiro-ministro no dia seguinte. José Sócrates também não quis ficar atrás e sacou do bolso uma metáfora para rotular a birra política de Paulo Portas, esse “bailarino que tropeça nos próprios pés”. Ora, o que sobra em sentido de humor, criatividade e imaginação à nossa classe política, falta em discernimento, lucidez, coragem e determinação para, com honestidade intelectual e “sentido de Estado” livre de demagogia barata, apontar o rumo “irrevogável” ao qual o país está obrigado a dobrar, qual Cabo das Tormentas: a reforma do Estado.

E raios partam este governo se a reforma do Estado não avançar. E “que se lixe a ‘troika’” se voltar a Lisboa para dar palmadinhas nas costas do Passos Coelho e do Ventura Garcês nas avaliações da ajuda externa. Progressos não se atingem com esta pulverização fiscal sobre os contribuintes e pensionistas, intoxicando as famílias, murchando a economia e falindo as empresas. Sustentabilidade financeira? Com este somatório de juros por amortizar a favor dos credores? Por acaso sabem a que preço está a austeridade em Portugal? E na Madeira? Da próxima vez que Christine Lagarde e Cª voltarem a Lisboa, para a 8.ª avaliação, deixem os paninhos quentes nos gabinetes de Estrasburgo e perguntem onde está o corte de 4.700 milhões de euros na despesa pública do Estado Português, conforme está previsto no memorando de entendimento.

A ‘batata quente’ cai agora nas mãos do ministro retornado. Paulo Portas quis armar-se escudeiro das políticas económicas, do relacionamento com a troika e da reforma do Estado. Ao assumir as pastas mais pesadas do governo, compromete-se a executar em dois meses aquilo que Vítor Gaspar foi incapaz de fazer em dois anos anos: corte na despesa pública mantendo a economia ligada ao ventilador e o governo com o pescoço à tona de água. E desta vez, não valem submarinos.

Na Madeira, o governo de Alberto João Jardim continua a fintar a norma ao máximo possível sob pretexto das mais exóticas e carnavalescas especificidades regionais de tanga cavada. Quando chega a restruturação da desmesurada despesa na Madeira? A fórmula da austeridade já nos tirou tanto de cima da mesa e não reciclou, ainda sequer, o papel higiénico na Administração Pública.

Ao longo de dois anos, temos visto Ventura Garcês a esfregar as mãos, arrecadando centenas de milhões de euros jeitosos à conta do resgate externo e da austeridade assinada com a ‘troika’. Sob o fio da navalha, vai dando para pagar salários aos funcionários públicos à medida que vai alimentando vícios antigos, buracos sem fundo e absurdos profundos: a máquina de propaganda em que foi transformado o JM, os SWAPS e as Sociedades de Desenvolvimento, entre uma panóplia de desvarios que continuam. É neste contexto que Alberto João Jardim cava daqui para fora e vai arejar a cabeça para as comissões do Comité das Regiões, naquelas viagens de utilidade duvidosa que representam um custo unitário de 10 mil euros, suportados pelo erário estúpido. Afinal, o que nos custa oferecer uma terapia no norte de Itália ao titio se pagamos todos os dias 11 mil pelo ‘seu’ brinquedo? Apetece responder: “É o erário, estúpido!”