Sempre hemorrágico, Portugal apresenta 18% de desemprego, e destes números oficiais, 42,5% é desemprego jovem. A pobreza acolhe quase 25% da população e a taxa de pobreza infantil atinge quase 1/3 do total. Ou seja, mais de meio milhão de crianças, são acariciadas pela pobreza. Um futuro promissor!
Alguns madeirenses festejam uma autonomia-fantasma (incapaz sequer de repor subsídios de férias a toda a administração pública), com uma das maiores taxas do desemprego nacional, e um PAEF excruciante que cilindra a economia.
Só uma elite celebra a autonomia e de forma hermética. Aquela que em nome do povo, acumula mordomias, e insiste numa prática de alienação formatada pelo costume de décadas de poder. Estilos insensíveis perante a precariedade dos anónimos, e da degradação duma classe média. Que outro feriado (de entre o calendário abocanhado entre a Igreja e o Governo em nome de fiéis mais produtivos), não mereceria ser também suspenso, que não o da celebração da Autonomia da Madeira? E se há pouco a celebrar na Autonomia, haverá razões para festejar as Comunidades Madeirenses, sobretudo aquelas que constituem hoje, a actual sangria da emigração qualificada, traída, e sem lampejos de saudade?
Hão-de ficar os velhos, os resistentes num asilo minimalista, numa vivência pausada, saboreando a brisa e a água do Atlântico que há-de permanecer (espero) um bem público. E de olhos no envidraçado baço da memória, ver os símbolos, bandeiras, estatutos e uma estátua afogada em destroços enferrujados de ousadia e loucura.
Donato Macedo