1. O DIÁRIO e o JM, os dois jornais diários que se publicam na Região, cumpriram com a lei de imprensa e revelaram, nas edições do passado sábado, as contas do exercício de 2012. Como se sabe, outras publicações locais, apesar de abrangidas pelo mesmo dispositivo legal, nunca mostraram o que valem, sem que se conheça qualquer penalização. O que será que há para esconder em meios de fins múltiplos?

2. As contas que se viram das duas empresas jornalísticas são eloquentes. O jornal que Jardim tomou de assalto, usa em proveito próprio e no qual injecta cerca de 3 milhões de euros todos os anos, volta a denotar desgoverno. A EJM assume ter registado mais de 3 milhões de prejuízos, o que, a juntar ao endividamento bancário superior a 6 milhões de euros e ao capital próprio negativo de 45 milhões de euros, indicia estar tecnicamente falida. Onde anda o ministro Maduro que perpetua tamanho atentado ao rigor das contas públicas? Onde andam tantos quantos são cúmplices da ofensa descarada aos contribuintes honestos e vítimas dos cortes oficiais? Já agora será que quem critica tanto a alegada má gestão do DIÁRIO - que teve 500 mil euros de prejuízo, em parte por causa da concorrência selvagem que se conhece - olhou bem para as contas de sumir do jornal da diocese?

3. Perante a grande fraude expressa nestas contas, Cavaco Silva bem podia abrir os olhos e actuar em conformidade, se é que quer ficar para a história na próxima visita à Região a meados deste mês. Bastava-lhe que fizesse cumprir a Constituição. Mas não. Já se sabe que o seu grande sonho é fechar os olhos e pernoitar nas Selvagens, para ser o primeiro presidente português a fazê-lo. Grande feito este. A Madeira a precisar de vigília permanente e o Presidente da República a querer dormir. A soberania nacional não estará mais comprometida na ilha maior? Só as cagarras nos poderão valer.

4. Neste dia da autonomia, Ponta do Sol apanha com os discursos oficiais e Câmara de Lobos com a festa que o PSD costuma fazer no Pico dos Barcelos. Será só descentralização estratégica ou campanha autárquica encapotada?

5. Há na lei principal um capítulo dedicado aos direitos, liberdades e garantias. É de leitura obrigatória para os que revelam incómodo com as candidaturas independentes, muitas delas formadas por gente que se fartou da social-democracia travestida. Porque será que no dia em que José António Garcês anunciou que estaria a 100% com São Vicente, o actual edil e também candidato Jorge Romeira escreveu no seu Facebook que "a ambição desmedida, a sede de vingança e de poder cega as pessoas"?