Manuel João Baptista Rosa O que se depreende do discurso do primeiro-ministro é que o Governo tem um rumo para o País e que pretende percorrê-lo, em duas etapas consecutivas: 1ª - A consolidação orçamental (liquidez = défice de 3% do PIB e solvabilidade = dívida do Estado de 60% do PIB) – limites impostos pela UE; 2ª- O crescimento económico (mais consumo/investimento/exportação/emprego). Por outro lado, quase todos os economistas dizem que não há consolidação orçamental sem crescimento económico, porque só esta situação é capaz de gerar excedentes (receitas> despesas) suficientes para alcançar aquele desiderato (consolidação). O que para qualquer cidadão, que se encontre na mesma situação do País, parece óbvio, é que ninguém é capaz de sair de uma situação de aperto financeiro, a não ser através de mais trabalho/produção, que origine mais receitas, atitude que secundada com a redução de despesas, permitirá a obtenção de excedentes, essenciais ao equilíbrio orçamental (liquidez) e à amortização da dívida do Estado (solvabilidade). Separar as duas etapas é ignorar que a situação financeira está fortemente dependente da evolução da situação económica visto que, só quando esta cresce, a situação financeira melhora e vice-versa. Ao Governo é exigido uma actuação em prol da economia, através de uma política orçamental contra – ciclo, executando uma política expansionista (redução de impostos/aumento das despesas) quando a economia entra em recessão (situação actual) e uma política orçamental contraccionista, (reduzindo despesas/aumentando impostos) quando a economia está em expansão. Estas são regras básicas da economia, há muito conhecidas, mas que o Governo teima em não respeitar. Ao retirar rendimento às pessoas, como está a fazer, através do aumento de impostos e de cortes salariais, está a matar o consumo e o investimento, actividades que originam o nível de emprego e consequentemente o rendimento, que são as finalidades máximas de qualquer sistema económico, conducentes ao bem estar das pessoas. A actual recessão económica deve, portanto, ser combatida pelo Governo, com base numa política orçamental expansionista (redução de impostos/aumento de despesas correntes e de investimento). Essa foi a lição económica retirada da II Guerra Mundial, quando os EUA entraram no conflito, mas saíram, por causa dessa decisão, da Grande Depressão (económica), à custa dos gastos públicos (política orçamental) com as despesas da guerra.