António Ferreira A “Conferência Casca de Laranja” promovida por Jaime Felipe Ramos, parece servir o propósito de promover, dentro do PSD-M, uma espécie de “Paz de Vestefália”. O ambiente tenso dentro do partido laranja já é completamente translúcido cá fora. Jaime Filipe Ramos está a ser clarividente, o risco do PSD-M perder Câmaras é palpável. Assim como podemos vislumbrar as Desertas a partir da cidade do Funchal, o colapso do PSD-M afigura-se no horizonte. Alberto João Jardim deveria ter previsto esta sequência de eventos. Jardim teve a língua, a garganta, e as mãos, mais poderosas do nosso arquipélago, por mais de três décadas. Como pode ter este “animal político” ter menosprezado o que é evidente? O poder de Jardim assentava em três eixos: a) as maiorias absolutas nas regionais e autárquicas; b) a capacidade de influenciar decisivamente quais eram os líderes do PSD nacional (Pedro Passos Coelho foi um dos poucos líderes laranja que não precisou de Jardim para chegar a primeiro-ministro); c) a importância dos deputados madeirenses na aprovação de orçamentos (a maioria absoluta de Sócrates eliminou a necessidade do PS chegar a acordos com Jardim, e, agora, a coligação do PSD e CDS fez o mesmo). Este poder fez com que Jardim tivesse carta branca na região. Todos os primeiros-ministros, até José Sócrates, foram obrigados a ceder a Alberto João Jardim, e este pensou que poderia continuar a brincar, mas como já constatamos nas travessuras do PAEF, o absolutismo de Jardim já não produz efeitos. Como chamei Jardim de “animal político”, posso dizer que este é um “tubarão político”, e não nasce aqui nenhuma incoerência; dito isto, é possível afirmar: o animal está a perder os dentes, e como a dentadura está a perder eficácia, vai tentando morder com mais força; mas isto só piora a situação, pois em cada dentada, lá se vai mais um dente. Vi as fotos da “Conferência Casca de Laranja”, e notei o sorriso aberto Manuel António Correia. Até parece que homem já tomou conta das hostes. Quanto a isto posso atestar que, quando chamo Jardim de “animal político”, o termo não é totalmente depreciativo. Manuel António Correia pensa que é um “animal político”, mas não, é só um político; e ainda terá de comer muito milho (ou anonas) para ter este estatuto. Na política, não há favas contadas. Exmo. Sr. Secretário Regional do Ambiente, lembre-se do episódio do Santana Lopes ser levado ao colo, por Durão Barroso, até ao cargo de primeiro-ministro. Sabe o que aconteceu depois? O pior resultado de sempre do PSD, e a primeira maioria absoluta do PS. A todos os que tiveram presentes nesta conferência, um alerta: o sumo da laranja não está na casca. Só as bases do PSD-M que podem produzir sumo com vitaminas, e estas são tão essenciais para salvar o PSD-M das estratégias moribundas dos seus generais, tenentes ou capangas.