Por mais voltas que dê à cabeça não consigo deixar de falar num dos problemas que mais aflige as famílias portuguesas incluindo as madeirenses – o desemprego. Lamentavelmente, até o DN, também contribuiu para que as estatísticas aterradoras estejam a aumentar. Neste momento pode-se dizer que não existe uma família onde não haja uma, ou mais pessoas, desempregadas. Há sempre argumentos que as entidades patronais evocam para justificar as suas decisões em despedir os/as trabalhadores/as. Uns até podem ser mais verdadeiros do que outros, mas sabemos que há muita gente a se aproveitar da crise para fechar empresas ou extinguir postos de trabalho. Quando a situação for mais favorável voltam a abrir, ou a contratar, mas com toda a gente em situação de precariedade. Na realidade as crises quando acontecem não são iguais para todos. Uns safam-se sempre melhor do que outros. Os/as trabalhadores/as são sempre os/as mais sacrificados/as e os centros de emprego têm os seus registos para o comprovar. As entidades empregadoras têm sempre maneira de se defender, excetuando aqueles que também são trabalhadores e vivem do seu negócio de onde retiram o seu rendimento. Para esses, até sou favorável a que tenham direito ao subsídio de desemprego, desde que paguem a sua segurança social como os trabalhadores. E porque estamos a viver esta situação? Porque nos impuseram, políticas erradas, telecomandadas por uma Troika de estrangeiros, nomeadamente pelo FMI, que agora, hipocritamente, diz que se enganou em relação à Grécia mas que continua a impor políticas no nosso país que fizeram com que a nossa economia esteja numa contração muito grande. Só no primeiro trimestre deste ano baixou 4%, com um PIB a cair para o terceiro mais baixo da Europa, com o emprego a cair para os maiores mínimos de sempre. Só no primeiro trimestre deste ano foram destruídos 101 mil empregos e com uma divida em crescimento assustador já representa, até Março deste ano, 127,3% do PIB. Nunca o nosso Pais viveu, na época da democracia, uma situação tão grave. Nunca tivemos uns governantes tão insensíveis e cruéis como os atuais. Todas as suas políticas têm dado fiasco. As suas previsões não acertam e mentem descaradamente aos portugueses com a maior lata deste mundo. O descontentamento das pessoas tem-se manifestado a todos os níveis mas o Presidente da República, concilia com esta situação, e até apoia, descaradamente, a manutenção desta gente no poder. Dois anos, deste governo e o Pais nunca esteve tão mal. Cortam nos direitos sociais dos funcionários públicos, dos pensionistas e reformados e até no apoio à natalidade. Cortam nos apoios à cultura condenando os portugueses a ficarem sem cinema, sem teatro e até sem feiras do livro. Devem achar que isto são luxos de quem vive acima das suas possibilidades. Mudam as leis de trabalho, cortam nas indemnizações por despedimento e nivelam tudo por baixo. Há dois anos que não existem aumentos salariais e que o salário mínimo continua na mesma Não há outro caminho que não seja acreditar que a luta é o único caminho a seguir até que esta gente desumana seja afastada do poder e as pessoas possam voltar a tentar respirar melhor e a ter esperança em parar esta agonia. Mas não é com posições de meias tintas que chegamos lá. É preciso haver um sério compromisso que a alternativa passa por repor o que nos está a ser roubado. Se assim não for é mais do mesmo e para isso é preciso dizer BASTA! Acredito que existem razões mais do que suficientes para que a greve geral do dia 27 de Junho, convocada pelas duas centrais sindicais, seja um êxito. Há razões muito sérias para uma grande participação e a Madeira não pode ficar à parte. BASTA de apatia e acomodamento pois esperar que “os frangos caiam do céu” nunca foi solução para nada.