Teremos nós força para erguer a Primavera? Há os que se deixaram cair no desânimo. Muitos, de tanta porrada, navegam num oceano de descrença. Cansados de tanto sofrer na pele o roubo dos direitos humanos fundamentais, muitos escondem-se no silêncio, alguns sangram no medo, outros ainda sentem a raiva. Muitos outros escusam-se na desconfiança. Com a calamidade do desemprego, no meio das falências e das dívidas, mergulhados na devastação económica e social que os governantes e seus partidos querem prosseguir, alguns dizem que a aurora nunca mais chegará. Há os que, apesar da injustiça excessiva, recusam qualquer derrota. No grande descalabro, há os que não calam o clamor. Há os que dão tudo por tudo, são o grito de combate, trazem palavras de lume e vento, puxam-nos, inquietam-nos, desassossegam, e não desistem de querer abraçar quantos se pensavam perdidos, chamam-nos para o raiar da alvorada. Convocam-nos! No próximo dia 27 de Junho há greve geral. Somos convocados para ir à rua. É dia maior para dizer: “Já não dá! BASTA!”. É imperioso derrubar esta governação. É urgente derrotar as políticas do terrorismo social. Estava eu a escutar Gabriel o Pensador no seu “Até Quando?”. Sem calar o clamor, provoca-me: “Até quando vai ficar sem fazer nada?/Até quando você vai levando? Porrada! Porrada!/Até quando vai ser saco de pancada?”. Provoca-nos: “Não adianta olhar pro céu/Com muita fé e pouca luta.”.
Já não dá!
“No próximo dia 27 de Junho há greve geral. Somos convocados para ir à rua”