Luís Reis Nasci nesta Pérola do Atlântico já lá vão sessenta e dois anos. Vivíamos tempos difíceis, impostos por um regime totalitário mas disciplinado. Todavia, imperavam personalidades de inquestionável honestidade dos quais muito nos orgulhávamos, fazendo delas dignos exemplos. Passaram-se algumas décadas e, eis que chegamos a esta pseudodemocracia, conspurcada pelos corruptos que nos levaram a este caos sócio-económico. Nunca pensei que na minha terra, gente que tinha no trabalho a base da sua sustentabilidade, mesmo não vivendo em riqueza mas com dignidade, algum dia necessitasse para minimizar a fome, de recorrer a bancos alimentares. O Único Importante, Barão do Quebra-Costas, como também era conhecido no passado, e toda a sua pandilha, levaram a RAM a degradação à qual esta condenada. A sua política, alicerçada no cimento e alcatrão, enganou o seu Povo Superior, em prol dos caciques que logo o rodearam, na expetativa do enriquecimento fácil e dúbio, por muitos de nós constatados. Enquanto esses inúteis enriqueciam, a pobreza instalava-se. Alguns deles, covardemente escondidos na imunidade parlamentar, atacam violentamente os que têm a coragem de delatar as suas falcatruas. Como já disse alguém que prezo como amigo: «NINGUÉM É CULPADO, NINGUÉM VAI PRESO». Degradação social e fome, é este o legado que deixamos aos nossos jovens. Apesar de tudo, insistem desesperadamente através dos escribas do Jornal do Governo, convencer o nosso massacrado povo, que tudo vai bem no reino do Bokassa. A demagogia usada ao longo destes anos, é como árvore caduca que deixa de dar frutos. Quando assim é, corta-se pela raiz. Outra nascerá, esperemos mais saudável…