No período de profunda crise económica e social que vivemos, com o aumento do desemprego, o crescimento da pobreza e o acentuar da exclusão social, as políticas de proximidade junto das populações ganham maior relevância. As Câmaras Municipais e as Juntas de Freguesia, apesar dos escassos recursos financeiros disponíveis, devem exercer, na plenitude, os seus poderes e competências nas áreas económica e social. O tempo das grandes obras públicas passou e hoje é obrigatório virar atenções para o essencial, ou seja, para atenuar e menorizar os efeitos da austeridade e do desemprego na vida dos cidadãos e das famílias. Importa, por isso, que as Câmaras e as Juntas possam criar, nos concelhos e nas freguesias, as melhores condições de atractividade para o investimento privado e para a criação de postos de trabalho, seja baixando os impostos municipais, seja encurtando prazos e entraves aos licenciamentos, seja melhorando a paisagem e o litoral para atrair turistas. A competitividade fiscal, a desburocratização e a melhoria da qualidade ambiental são condições essenciais para relançar o investimento privado, criar empresas, emprego e riqueza nas nossas freguesias e concelhos. A outra grande área de actuação das autarquias é a intervenção social, que deve ser ampliada. Para além da pobreza estrutural, que nunca se conseguiu combater, e dos muitos cidadãos que ficaram nas margens do desenvolvimento nas últimas décadas, surgem os novos pobres, muitos deles oriundos de uma classe média sobrecarregada de impostos e que hoje precisa de ajuda pública para combater as suas privações. As autarquias têm pela frente a pesada, mas necessária, tarefa de cuidar da coesão social e de trabalhar para o crescimento económico e para a criação de emprego nas suas terras. O Poder Local ganha, assim, uma nova dimensão, num tempo de enormes dificuldades para os seus cidadãos.
José Manuel Rodrigues