Manuel Viveiros Mês de Maio, mês de Maria, mês das flores. E também das boas e más recordações. Boas recordações, como aquela que no alto de uma das entradas da baixa portuense o artista Rigo deixou em grande plano, visível a quem ali passava:”ISTO O POVO NÂO ESQUECE”, remetendo o conteúdo para a casa museu de Serralves. Mas o que é que o povo não esquece? A má recordação que aconteceu aquando da passagem da Imagem peregrina pela Região, em 2010: tendo entrado em todas as igrejas da Madeira, foi-lhe recusada a entrada no adro da igreja da Ribeira Seca, estando o enorme recinto literalmente apinhado de gente para recebê-la. E quem a recusou? Responda o bispo e responde o padre/cónego Manuel da paróquia da vila de Machico que, na altura, empurraram um para o outro essa inesquecível decisão. Até hoje, nem uma palavra de explicação nem um gesto de desculpa. E já lá vão três anos. O mais curioso é que os dois encontraram-se, domingo passado, nos Crismas em Machico e disseram palavras como estas:“Todos queremos a renovação da Igreja…e a fraternidade deve estar patente na relação entre as pessoas nos diversos grupos e instituições…” (DN, 27/05/2013). Qual renovação e qual fraternidade? Será possível terem-se esquecido de pedir perdão à Senhora de Fátima por não deixarem a sua imagem “ver” a igreja da Ribeira Seca e o seu povo? Amnésia ou hipocrisia, quem quiser que escolha. Mas se estão esquecidos, quem não esquece é o povo, nessa memorável obra que Rigo 23, o artista e cidadão do mundo, deixou para sempre na casa-museu Serralves, numa colectiva de artistas internacionais, uma exposição visitada por milhares de pessoas, inclusive as mais altas instâncias da Nação, as quais gravaram aquele protesto: “8 de Maio de 2010: ISTO O POVO NÃO ESQUECE”!