Um destes dias, fui ouvido em tribunal, como testemunha num processo movido pelo presidente do Governo contra o ex-líder do PS-M, João Carlos Gouveia, por afirmações que este proferiu, já há alguns anos e que terão provocado enorme transtorno, tristeza e mágoa ao ofendido. O caso ainda aguarda uma decisão da juíza, mas penso que não será crime referir uma situação curiosa que o marca. Se percebi bem, e confesso que o ‘português de advogado’ não é o meu forte, estava em causa o limite do razoável para o discurso político. Isso mesmo, alguém terá ultrapassado os limites, dirigindo-se a Alberto João Jardim. Terá pisado o risco do que é considerado razoável.

O mesmo Jardim que já chamou ‘bastardos’ a jornalistas e ‘grande mafioso’ a António Guterres, só para referir alguns exemplos que provavelmente estarão dentro dos limites do razoável.

Embora o ofendido não tenha posto os pés no tribunal, ficou em acta a sua mágoa por alguém ter dito que não trabalhava, comparando-o (penso eu) a um vadio. Algo parecido com o que o ofendido disse, nos últimos dias, sobre quem fez greve na passada semana. Segundo ele, só fez greve quem realmente não quer trabalhar.

Este caso, como muitos outros em que o ofendido se apresenta como tal, é comparável – isto é humor, não é ofensa! – ao daqueles jogadores, conhecidos por distribuir ‘lenha’ durante todo o jogo, fugindo aos cartões vermelhos por intervenção divina, mas que rebolam no chão, aos gritos, mandam entrar a maca, o massagista e o curandeiro, sempre que algum adversário lhes toca nas caneleiras. Quase sempre conseguem que o árbitro sancione o ‘agressor’.

P.S. – Aquela afirmação, dirigida aos profissionais da RDP-Madeira, garantindo que só salvarão os seus postos de trabalho no caso de se portarem bem deve ser uma das maiores pressões de sempre, em Portugal, sobre profissionais da comunicação social.