Délia Rodrigues É na Herdade do Chão da Lagoa que se amansam as ovelhas! Infelizmente à mais de trinta anos que a grande maioria do povo Madeirense tornou-se num autêntico rebanho de ovelhas, sempre obediente ao seu pastor! Os tempos de crise, são tempos de mutação para o bem ou para o mal. A maioria das pessoas não está preparada para assumir o poder. O poder faz despertar fantasmas que estão escondidos debaixo do manto da humildade: o fantasma do autoritarismo, do controlo, da chantagem, da necessidade de aplausos. O poder nas mãos de um sábio torna-o um aprendiz, mas nas mãos de um insensato torna-o num ditador. A pior ditadura é aquela que nos controla por dentro, que distorce a nossa critica e a nossa percepção da realidade. As pessoas vivem subjugadas por uma ditadura interior, e por uma democracia política exterior. o sistema invadiu o funcionamento da mente das pessoas, tal como um vírus, o que as impede de se encantarem com a própria existência e tomarem as suas decisões livremente. Porque é que tantas pessoas continuam a seguir líderes políticos estúpidos? Raramente acontece que um político seja inteligente, porque se ele for inteligente não será político! A razão é porque as pessoas deixaram de confiar nelas próprias, vivem amedrontadas, não sabem qual o caminho a seguir, estão à espera de um messias, de alguém que lhes diga o caminho certo, e que lhes diga isto com uma certeza tão obsessiva, que os seu medos sejam dissipados. É precisamente por estas razões que o povo Madeirense nunca foi nem é um povo superior, apenas tem sido dominado, por uma certa elite política, que através do poder económico tudo fez e faz para satisfazer caprichos de poder, ganância, astucia e ambição. Não se conhece o ser humano pela doçura da sua voz, pela bondade dos seus gestos ou pela simplicidade das suas vestes, mas tão somente quando se lhe dá poder e dinheiro. A base fundamental da liberdade é a capacidade de escolha. A capacidade de escolha só é plena quando temos a liberdade de escolher o que amamos. Todavia vivemos numa sociedade em que nem sequer conseguimos amar a nós próprios. Convertemo-nos em mais um número de cartão de crédito, em mais um consumidor em potência!