Em Janeiro de 2012, portanto, há um ano e meio, o CDS-PP propôs, na Assembleia Legislativa da Madeira (ALM), que a Região negociasse com as empresas de construção civil um perdão dos juros, poupando assim muitos milhões de euros. O leitor sabe qual foi a resposta do PSD? É fácil de adivinhar, fez aquilo que faz quase sempre, ou seja, “chumbou” a proposta do CDS-PP. Também na ALM, já propusemos que o Executivo da Madeira renegociasse o PAEF, negociasse a venda das participações sociais em empresas públicas como a Eletricidade da Madeira, angariando assim receitas. Apresentámos um conjunto de 30 propostas, logo no início da legislatura, para o crescimento da Economia e para a redução da despesa pública. A todas elas, o PSD disse que não. Não nos admiramos que, mais tarde ou mais cedo, venha com ideias que já rejeitou e que eram do CDS-PP. Não as rejeitou por não serem válidas, mas sim por pura teimosia política. É esta pratica que temos de erradicar, ou seja, as propostas devem ser avaliadas por elas próprias e não pela sua procedência, como agora acontece. Congratulo-me pelo facto da Região poupar cerca de 120 milhões de euros com o perdão de juros das grandes construtoras. É bom para todos nós que os cofres regionais fiquem mais folgados. Mas não entendo porque razão perdemos um ano e meio. É que, se a proposta do CDS-PP tivesse sido aceite, repito, foi apresentada há um ano e meio, teríamos poupado dinheiro. Defender o bem comum não é defender uma prática política sectária, divisionista, que procura colocar Madeirenses contra Madeirenses. É, pelo contrário, aceitar que, por vezes, os outros podem ter razão.

Rui Barreto