A Madeira assinala esta segunda-feira mais um Dia da Região. Com os indispensáveis discursos, deputados do poder de gravata posta, presidente com texto rebuscado em palavras de dicionário, hinos, flores. Tudo como era antes. As questões que se colocam neste momento são muito simples: estamos a festejar o quê exactamente? Os mais de 25 mil desempregados? Os milhares de inscritos em programas de ajuda no combate à fome? A emissão de passaportes para jovens sem futuro aqui? A dívida escondida? As contas mal feitas por alguns e agora pagas por todos? Que motivos teremos nós, neste 1 de Julho de 2013, para festejar? Dirão os mais afoitos apoiantes do estado a que isto chegou que a Autonomia é um valor por si só, que a sua conquista nos deve encher de orgulho. E depois dirá quem tiver direito a usar da palavra que é preciso aprofundar a Autonomia, que como está não chega, que se não fossem os limites autonómicos estaríamos bem melhor, que isto e aquilo. Apetece perguntar: mas qual autonomia? A que tiveram certas pessoas bafejadas por uma estranha sorte que apenas toca a alguns? Será autonomia isto que temos? Será autonomia estar vergado sob o longo manto do Plano de Ajustamento Económico e Financeiro que a tudo se sobrepõe porque dele precisámos depois de chegados ao fim do poço? Nem é preciso fazer mais perguntas. É evidente que esta autonomia moribunda não merece festa. Carece, isso sim, de uma profunda reflexão de todos. Porque todos somos responsáveis, nem que seja por omissão. Virá o dia em que este tempo que nos deram a viver será comparável ao do filho único que, ainda imberbe, recebeu fartas mesadas dos pais novos-ricos e não as soube gerir. Espatifou tudo na boa vida sem cuidar do amanhã. Esse amanhã é hoje. Esse jovem, de apelido Autonomia, já conheceu importantes palacetes, participou em banquetes e enfiou-nos uns quantos barretes. Esse jovem, faz anos segunda-feira e somos todos nós convidados, não para a ceia do Senhor, mas para ouvir alguns senhores a dizer mais do mesmo. Cá fora, na Madeira feita de gente normal, aumenta o desespero, falham as empresas, desaparecem os empregos e em algumas falta comida à mesa. E vamos festejar o quê?