O Bruno estudou Engenharia Civil e muito novo ainda regressou à Madeira, onde conseguiu um bom emprego numa empresa de construção. Viveu anos prósperos e à beira dos 30 mudou de empresa. Ganhou novas responsabilidades e um novo salário ainda melhor. Prosperou nos anos seguintes, até que há um ano e meio atrás a conjuntura “atirou-o” para o desemprego. Continua à procura de trabalho, um qualquer, até bem diferente se necessário, mas não consegue nada. Aos 36 anos conta os sonhos que a vida lhe roubou. A Joana estudou, afincadamente, Direito em Coimbra e no final da licenciatura estagiou num escritório de renome no Funchal, mas findo esse período não conseguiu contrato. Tem-se desdobrado em contactos desde então mas até hoje, cinco anos após a licenciatura, não conseguiu ainda um trabalho. Já não sonha muito com um bom emprego porque a vida não está para isso. Não tem direito a subsídios e agora, com 28 anos, vai deixar a família e os amigos rumo a um país estrangeiro. A desilusão em que mergulhou trouxe-lhe o que lhe faltava em coragem. Vai emigrar. A Cristina tem 30 anos e começou agora um mestrado. Ainda vive em casa dos pais e continua sem emprego. Formou-se em Psicologia e sonhou em trabalhar a sério, ajudar a resolver os problemas sérios dos outros, mas hoje o problema sério é o desemprego crónico em que está envolvida. Continua a reinventar-se e a enviar “curriculums”; está disposta a trabalhar noutra área e a receber muito menos do que aspirava. Mas nem isso lhe aconteceu até agora. O Bruno, a Joana e a Cristina são fictícios. Não existem na realidade, mas na realidade estão aí e andam por toda a parte. [email protected]
Luís Sena-Lino Consultor de Marketing e Comunicação