Jorge Martins Parece-me ser pacífica a aceitação da positiva evolução das condições de saúde da população do país, proporcionada pela implementação do Serviço Nacional de Saúde. A mortalidade infantil decresceu de mais de 50 por mil para 2,5 (a melhor do mundo) no ano passado, enquanto a esperança de vida subiu, no mesmo período, de 61 para 79 anos ( mulheres 83). Na minha opinião, tal deveu-se fundamentalmente a : 1- Democratização do ensino com formação do n.º necessário de profissionais de saúde, enfermeiros e médicos 2- Universalidade dos cuidados de saúde prestados às populações 3- Tendência de gratuitidade dos serviços prestados 4- Mais célere acessibilidade aos cuidados primários de saúde 5- Concentração dos cuidados especiais em centros de referência , só possível após a construção de acessibilidades (auto-estradas) e encerramento de unidades que embora mais próximas, por deficiência de capacidade técnica, criavam falsas expectativas de atendimento adequado. Hoje, pretendendo-se fazer crer que se mantém a mesma linha de acção, entrega-se de mão beijada aos hospitais privados, os especialistas formados pelo e à custa do erário público, fazendo com que quotidianamente saiam para o estrangeiro dezenas de enfermeiros em deficit nos serviços do estado e muito mal pagos nos hospitais privados, onde se acoitam os que já têm emprego trabalhando assim 16 , quando não de quando em vez, 24 horas por dia, com a qualidade que se pode imaginar. Também agora, começa a chegar aos médicos, esta redução de vencimentos no sector privado , dada a crescente mão sem saída , ainda que necessária, no sector público o que é diluído , pela propaganda oficial, nos ganhos sobre os desperdícios , nomeadamente na diminuição do preço dos medicamentos, hoje traficados de Portugal para fora como há decénios importamos tabaco, com falta de medicamentos nas farmácias, como todos os dias ouvimos e lemos na comunicação social. Pois bem, este inteligente e diligente Ministro da Saúde, funcionário do BCP (sempre os Bancos) e nele responsável pela MEDIS, seguro de saúde deste banco, vendendo a imagem de gestor de excelência que criou no país quando há alguns anos, então nomeado, contratado a peso de ouro, pela Sra. Ferreira Leite, Director Geral de Finanças, comprou um programa informático ( a quem ?) que, pelo cruzamento de dados permitia, conseguia identificar múltiplas falcatruas, pequenas, evitando fuga aos impostos, que não as grandes ligadas à alta finança, “off-shores” e quejandos, veio para este Governo com a incumbência de privatizar a saúde como pode ser entendido mediante o que acima referi, mas com mais este dado que reputo da maior importância. O anterior Governo, equacionou e anunciou mesmo o fim da ADSE, sub-sistema criado ainda antes do 25 de Abril, para compensar os funcionários do Estado dos inferiores vencimentos que recebiam quando confrontados com o sector privado, mas, para o qual, descontam 1,5% do vencimento, com a justificação compreensível, de que num Estado com um Serviço de Saúde Universal , Geral e tendencialmente gratuito, seria, no mínimo incompreensível existir um sub-sistema que precisamente, beneficiasse os funcionários do Estado. O que fez este Ministro ? Não só não acabou com a ADSE, como, aumentando gradualmente até e só 2,5%( para não criar rejeição) do vencimento a contribuição dos funcionários os estimula a recorrer aos hospitais privados e compreende-se porquê. É que, analisadas as contas das ditas instituições, se chega rapidamente à conclusão de que se não fosse a ADSE, ou seja, o utilização dos hospitais e clínicas privados por parte dos funcionários públicos, há muito que a maioria senão todos, estariam na falência. PS- Como me parece óbvio, não estou a falar da Madeira, onde as contas são bem piores, também neste sector, tão idolatrado como pérola da Autonomia e tão falsa quanto ela se tornou.