Em dia de greve geral, sinto necessidade de pensar mais longe e titular este espaço parafraseando Alan Kay. Faço-o não só por estar preocupado com a manutenção dos atuais postos de trabalho, ou com a defesa dos direitos dos trabalhadores, mas por me preocupar sobremaneira com o emprego jovem, ou com a falta de emprego para os jovens. Não tenho dúvidas que o (des)emprego jovem é determinante para a coesão social europeia tão necessária à estabilidade e à paz mundial. A Europa real, dos cidadãos em dificuldades e dos jovens adultos formados e desempregados, sem horizontes e sem esperança, tem de ganhar espaço e impor-se à Europa dos corredores de Bruxelas, das comissões e dos grupos de trabalho em gabinetes fechados burocratizados e admoestados por uma realidade inexistente. Grécia, Espanha, Portugal e Itália são países onde as taxas de desemprego juvenil ultrapassam os 40%, contrastando com a Alemanha ou a Áustria onde este mesmo desemprego se situa abaixo dos 8%. Serão aproximadamente 5,6 milhões de jovens europeus com menos de 25 anos que não encontram respostas no mercado laboral e que apresentam os mais elevados níveis de formação de sempre. Assim, cito Alan Kay: “a melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo”! Inventar um futuro fora dos paradigmas políticos atuais, despido dos modelos formatados vigentes, que dê asas à capacidade de criação e possibilite a reinvenção de políticas locais e nacionais ajustadas e apoiadas em instrumentos financeiros que respondam às diferentes necessidades dos Estados.. À Estratégia 14-20 caberá concretizar este desiderato no seio da UE, caso contrário, hipotecaremos o futuro de várias gerações e as greves pouco garantirão.
Nuno Maciel Professor