O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras divulgou, por ocasião do seu 37º Aniversário, números muito interessantes acerca da imigração. No final do ano passado, Dezembro de 2012, viviam em Portugal 417.042 imigrantes, menos 4,5% do que em 2011. Cerca de 20.000 imigrantes deixaram o nosso país, sendo 6.000 brasileiros (30%). Esta comunidade ainda é a mais representativa no país, com quase 106.000 imigrantes. A Ucrânia é a segunda comunidade estrangeira mais representativa, seguida de Cabo Verde, Roménia, Angola, e Guiné-Bissau. Quase 46% dos imigrantes em Portugal têm idade entre os 20 e os 39 anos. De acordo com o estudo, todas as nacionalidades reduziram o número de pessoas presentes em Portugal, à exceção dos Chineses, que aumentaram. As causas prendem-se com a “alteração de fluxos migratórios”, “regresso ao país origem” e “aquisição de nacionalidade portuguesa”. Estes números tornam-se preocupantes se tivermos em conta a diminuição da população portuguesa (menos 55.000 habitantes em 2012) e também pelo aumento crescente da emigração portuguesa. Há mais gente a sair de Portugal do que a entrar. Cada vez temos menos gente em idade ativa, cada vez mais uma população envelhecida, os mais novos e qualificados a saírem do país, com uma consequência terrível ao nível da taxa de natalidade. Portugal oferece cada vez menos emprego, temos cada vez menos salários e possibilidades de progressão, pelo que os mais novos e licenciados, especialistas e muitas vezes trabalhadores de empresas internacionais, optam por acompanhar a deslocalização da empresa e por aceitar lugares e ofertas de trabalho no estrangeiro. Um dado curioso é o crescimento de cursos intensivos de língua estrangeira (inglês, alemão, russo, espanhol, entre outros). A grande maioria dos jovens emigrantes, têm entre 25 e 34 anos, vítimas do desemprego nacional. Num mundo global, farão a sua vida onde lhes oferecerem melhores condições e futuramente virão a Portugal apenas em férias. Investimos na formação e na educação dos nossos jovens para eles saírem do país e irem trabalhar lá fora. Novas políticas económicas e de fixação de postos de trabalho, com investimento estrangeiro e consolidação de políticas fiscais, precisam-se urgentemente.
Pedro Calado Vice-presidente da CMF