Maria de Fátima Abreu Ao Ex.mo Senhor Presidente da Câmara Municipal do Funchal Na verdade não sei muito bem a quem dirigir-me para este assunto. Mas, porque à cidade diz respeito, julgo que a CMF terá algo a dizer, ou a fazer muito rapidamente a este respeito antes que o mal cresça. Prática em rápido desenvolvimento nas freguesias da nossa cidade, roça já o abuso e o desrespeito pelo próximo. Entenderam os sacerdotes responsáveis das várias igrejas, já há algum tempo, de virar para o exterior das mesmas potentes altifalantes, para o que devem ter obtido licença da CMF, com certeza com o propósito de levar a palavra aos que não assistem ao serviço religioso em dias de festa. Atualmente multiplicaram-se as festas nas várias freguesias de todo o município e todos, católicos e não católicos, somos obrigados a escutar, não apenas o serviço religioso da festa do santo padroeiro, mas dos vários que cada freguesia ou paróquia entende festejar ao longo do ano. Sou católica, no entanto, não de forma a que se me toldem as ideias impedindo-me a crença de ver o desrespeito pelos muitos, e não apenas os que não são praticantes, a quem este muitas vezes estrondoso ruído perturba, também os doentes, a muitos dos quais um barulho destes incomoda, aos que trabalham de noite e necessitam dormir de dia... e porventura a outras situações que não me ocorrem. Uma imposição da igreja católica a todos os que a não frequentam. À igreja vai quem quer, porque devem ser os que não vão obrigados a ouvir o que lá se diz ou canta? Dirão alguns que os madeirenses são na sua maioria católicos. Talvez! Porém, estamos no século XXI e o Funchal não é uma aldeia. Numa reduzida população será mais fácil definir se existe condição para o fazer, pelo conhecimento de que todos aceitam essa prática. Somos uma sociedade laica, ou não? Imaginemos por isso, uma vez que existem outras religiões e seitas ou movimentos religiosos (conforme lhes queiram chamar), para além da católica, que todos resolviam, nos dias festivos, virar os altifalantes para o exterior do seu espaço, obrigando todos a ouvi-los. Daria a CMF licença? E, dando, o que aconteceria então? Aí, estariam os católicos a chamar a polícia por se sentirem incomodados com o ruído. E, será que o contrário não é na mesma verdadeiro? Deixo a questão à consideração de Vossa Excelência.