Amanhã é dia de Greve Geral Nacional contra a política do Governo PSD/CDS e o anunciado corte de 4.700 milhões de euros na despesa pública. Nesta greve estão novamente unidas as duas centrais sindicais - a CGTP e a UGT - e a maioria dos Sindicatos Independentes. Perante esta greve dividem-se as opiniões dos trabalhadores no País e na Região. Uns não têm dúvidas em assumirem a sua participação nesta luta para travar estas medidas que empurrarão ainda mais o País e o Povo para o abismo da recessão e do desemprego e da miséria. Outros esperarão que os outros lutem para não ficarem sinalizados perante as entidades patronais e com a esperança de beneficiarem dos frutos da luta. Outros ainda dirão que a greve é sobretudo contra medidas que irão atingir os trabalhadores do sector público e os reformados e que eles, por estarem no sector privado, não sofrerão as consequências das mesmas. Em artigos anteriores tenho demonstrado a falsidade da argumentação do Governo sobre os privilégios dos Funcionários e dos Reformados da CGA os que mais têm sofrido com cortes nos valores de salários e reformas. Por isso é urgente romper com este tipo de mentalidade que divide e que torna fraco um Povo que pode ser forte e que dá força a Governos cada vez mais fracos e uma Troika cada vez mais dividida. É certo que as medidas para tornar possível o corte de 4.700 milhões de euros atingem sobretudo Funcionários Públicos, Reformados e Serviços Públicos. Mas ninguém pode dizer que não será atingido pelas consequências das mesmas. Com os despedimentos de mais de 30.000 funcionários públicos e os cortes salariais em toda a Função Pública, com os cortes de mais de 10% que serão feitos em retroactivamente nas reformas da CGA, com os cortes nas despesas de funcionamento dos Serviços Públicos, etc., toda a Sociedade irá sofrer as consequências. Serão mais subsídios de desemprego a pagar aumentando o défice da Segurança Social e abrindo espaço para cortes nas Reformas por ela pagas; será uma maior diminuição do poder de compra da classe média com o aumento do número de Empresas a encerrar por falta de consumo; será uma nova redução de receitas do IRS e do IRC pois Empresas encerradas e trabalhadores despedidos e salários e pensões reduzidos pagarão menos ao Estado; será enfim um agravamento da recessão e logo a necessidade dum novo pacote de austeridade. Isto para além da qualidade da Saúde e do Ensino vir a degradar-se ainda mais e as taxas e propinas poderem vir a alargar-se e a agravar-se. E se novas medidas de austeridade vierem a ser tomadas depois destas, caso estas passem, elas poderão atingir quem, no sector privado ou recebendo uma pensão da Segurança Social julga que os prejudicados são apenas os Funcionários Públicos e os Reformados pela CGA. Todos os Reformados têm uma espada suspensa sobre a sua cabeça que Paulo Portas fingiu afastar mas que não foi anulada - a chamada TSU dos pensionistas. E a imaginação da Troika e do Governo do PSD/CDS para sacar dinheiro dos bolsos dos contribuintes não conhece limites. Nas mãos destes governantes, com os da Região às vezes a fingirem opôr-se mas sempre à espreita de beneficiarem do saque aos contribuintes, o País parece-se cada vez mais com um talho onde só se houve a palavra cortar. Os talhantes às ordens da troika só sabem cortar em tudo o que é rendimento dos trabalhadores e reformados, não tocando nos donos de Portugal, para satisfazer os apetites insaciáveis dos credores e só pararão quando restar uma carcaça da qual mais nada haja a extrair. A não ser que todos juntos sejamos capazes de dizer que não somos gado, mas sim pessoas com direitos e que basta de ser governados por “carniceiros”!

Paulo Martins