Duarte Olim Intriga, ou talvez não, que se tenha desencadeado uma discussão sobre os custos das Organizações Sindicais para o Estado. Mais curioso é que essa discussão trouxe à tona, para incendiar a opinião pública mais destituída, montantes estimados dos salários pagos pelo Estado a sindicalistas destacados, como forma de visá-los. Numa época de forte recessão económica, a tendência dos mais incautos é procurar culpados, neste particular, provocando animosidade contra os sindicalistas e, mais grave, questionando a importância destas estruturas sindicais. Povo ludibriado... Esquecem que somos todos beneficiários de direitos laborais que decorrem de lutas continuadas dos sindicatos, e que a sua existência é sinónimo de se viver num estado democrático com mais direitos. Conotar os sindicatos com a esquerda ou comunismo é incompreensível, se estas organizações nos defendem a todos por igual. Porém, justiça seja feita, historicamente foram socialistas e comunistas que, no âmbito das suas lutas, estiveram na génese da sua criação. E daí? Porquê rotular? Para subestimar? Alguém já se interrogou sobre quanto custa a democracia? Qual é o preço da liberdade? Estou-me a marimbar para o custo dos sindicatos, ou para o montante que o Estado paga em salários aos sindicalistas. É de somenos importância. Não conheço nenhum estado democrático que não tenha sindicatos, e sei que a sua inexistência só é admissível em países totalitários, onde o povo reprimido não reclama, não se manifesta e não faz greve. Pretendem de nós o quê? Certamente que sejamos cidadãos dóceis, fiéis consumidores e pacóvios obedientes. É assim nos regimes totalitários. Ser contra os sindicatos é não ser democrata ou, simplesmente, ser ignorante.