No mês passado apliquei, sensivelmente, 1500 caracteres a analisar, áspera e desagradavelmente, a pré-campanha do Partido Popular, e fui muito injusta... com o PSD, é claro. Razão pela qual dedico este singelo artigo de opinião ao maravilhoso trabalho de marketing do (literalmente) Partido (muito) Social (pouco) Democrata. A missão tinha tudo para falhar. O candidato reunia as condições perfeitas para acabar com bigodes, dentes podres e uns dizeres bem à maneira do povo que o seu partido criara. Mas a boa publicidade vende tudo, até uma injecção na testa. Pelo que podia, muito bem, vender um candidato à Câmara do Funchal que apoia o regime jardinista e que promete um mandato de vassalagem absoluta. E como não se apanham moscas com vinagre, havia que recriar a realidade. Ao Bruno Pereira só faltou um colete camuflado e umas ervas nas orelhas. Misturaram-no com gente gira, reduziram o logótipo do partido a um ponto preto, e baniram por completo a cor da laranja. O resultado foi surpreendente, e faria Magritte corar de vergonha. A coisa está de tal forma dissimulada que quem passa pelos cartazes confunde o candidato com os mandatários, e baralha os do PSD com os do CDS. Mas a trapalhada não é inocente! Revela uma aproximação com os Democratas Cristãos. Assim, por mais votos que tenha Paulo Cafôfo, uma coligação autárquica entre CDS e PSD é possível, é expectável, e será fatal. O trabalho tem tanto de bom como de perigoso. “Isto não é o PSD”.
Rubina Sequeira