Apenas dois dias antes da visita recente do Presidente americano a Berlim, marcando os 50 anos do discurso histórico do Presidente Kennedy à frente da Porta de Brandeburgo, a Filarmónica de Berlim apresentou, num gesto simbólico, uma das obras mais emblemáticas associadas com o tópico da guerra, War Requiem, o Réquiem da Guerra do compositor inglês Benjamin Britten. Esta missa para defuntos foi estreada em 1962, aquando da reconsagração da catedral de Coventry, arrasada pelos bombardeamentos Nazi em 1940. A mensagem anti-guerra e pacifista do compositor foi realçada pela sua ideia de, na estreia, participarem cantores solistas de três países envolvidos na Guerra, então inimigos: Rússia, Alemanha e Inglaterra. O texto do Requiem utiliza, além do prescrito em latim, nove poemas do poeta inglês Wilfred Owen que pereceu tragicamente no fim da 1ª Guerra, apenas uma semana antes do armistício, e que se tornou um símbolo de futilidade da guerra. O paralelismo simbólico será mais que patente também na apresentação desta obra calendarizada para o dia 28 de setembro, na capital da Croácia, Zagreb. Com a Filarmónica de Zagreb actuarão três cantores, dos três países envolvidos num conflito que ainda permanece fresco na memória europeia: a dissolução da Jugoslávia e a guerra pela independência entre várias nações constituintes. Uma soprano sérvia, um tenor bósnio e um barítono croata, coros da Eslovénia, Croácia, Sérvia, e Bósnia e Herzegovina, um maestro croata - pela primeira vez juntando estes países num palco depois de mais de duas décadas. O objectivo é claro: promover a mensagem da Paz, honrar as vítimas do conflito e apelar à consciência colectiva para que um conflito destes nunca mais ocorra na Europa do século XXI.

Robert Andres