Xavier Luís Chegados ao Verão e com o fim-de-semana de céu limpo, o tempo convidava a uma ida à praia. Depois de andar um pouco na Promenade, pareceu-me que a enseada a sueste do Hotel Orca, era o local onde o mar estava mais calmo. Na minha primeira ida à água, verifiquei o quanto me enganei, pois num intervalo de mar calmo vieram as ondas gigantes com fortes rebentações, o que constituía perigo enorme no regresso a terra. Estava eu a apanhar banhos de sol quando ouço aquilo que me pareceu ser gritos de socorro. Olhei para o mar e vi uma boa meia dúzia de pessoas aflitas a tentar regressar com as ondas gigantes; entre elas, uma criança com braçadeiras. O panorama era aterrador! De repente, outra meia dúzia de voluntários dirigiram-se para o mar e, cada um à sua maneira, tentou ajudar. E vindos quase do nada, surgiram vários coletes salva-vidas, que uns tentavam levar aos necessitados, mas que eram devolvidos à praia pelas ondas gigantes. Apesar de não haver quem desse ordens, todos aqueles homens trabalharam para o mesmo objectivo, como se a natureza da situação lhes confidenciasse no coração qual a tarefa prioritária. Naquela azáfama, alguém grita que, ao longe, um corpo boiava de cabeça para baixo. O pior parecia ter acontecido… Apesar disso, aqueles homens continuaram a tarefa de trazer para terra os aflitos. Um após outro, todos regressaram são e salvos. E quando se preparavam para ir resgatar o corpo que boiava, uma mota de água surge e dá uma ajuda preciosa. Este corpo chegou a terra já muito amarelado, sem acção, mas a cuspir água, o que indiciava que estava com vida. Eis que, até uma enfermeira socorrista estava na praia e iniciou, de imediato, os primeiros socorros, enquanto se aguardava a chegada dos bombeiros e da equipa da Emir. Depois de muitos esforços, parece que o corpo inerte regressou à vida e foi levado para o hospital. Afinal, os coletes salva-vidas e a mota de água vieram da empresa que aluga utensílios para desportos náuticos sediada num contentor na praia. Aos responsáveis desta empresa, aos voluntários que evitaram a tragédia e aos corpo de socorristas (da ambulância, porque na praia não havia nenhum), os meus parabéns! À pessoa que foi levada para o hospital, os desejos de rápidas melhoras. Aos políticos, uma chamada de atenção: não brinquem com o povo!