Por mérito do sindicalismo profissional muito bem instalado, sobretudo a nível nacional, e a uma certa complacência da generalidade da Comunicação Social do país, nos últimos tempos a maioria dos portugueses foi levada a pensar que os problemas específicos dos professores suplantam os dos restantes sectores profissionais de Portugal. Parece que até são mais gravosos do que aqueles que nem têm emprego para se queixarem de uma hora a mais ou a menos... Obviamente que também consigo ver que sectores como a Saúde e o Ensino devem ter uma certa predominância, pelas suas repercussões directas em cada uma das nossas casas. Sempre olhei para os Professores com grande respeito e admiração, em especial alguns com quem tive a sorte de cruzar-me em diferentes escolas. Mentiria, no entanto, se dissesse que mantenho essa admiração dos meus tempos de escola. Nos últimos tempos tenho visto alguns professores que apenas foram para professores porque não conseguiram ‘entrar’ noutra coisa qualquer. Felizmente, continua a haver Professores – assim com letra maiúscula – com vocação de Professores. É como em todos os sectores: não se pode generalizar. Mas aquilo que os próprios professores têm permitido é essa generalização, porque isso interessa sobremaneira aos sindicalistas profissionais (os tais que já não dão aulas há 20 anos e que ficam ofendidos com o simples facto de falarmos disso). Não posso admirar professores que colocam os alunos no fim da lista das suas prioridades; professores que não querem ser avaliados porque assim se lhes destaparia as fragilidades que distinguem os bons dos outros; professores que não gostam que haja Professores conscientes, que sofrem e riem quando os ‘seus’ alunos sofrem e riem também. Infelizmente, vivemos tempos difíceis. Sobretudo em Portugal. Não há quem não esteja a sofrer com a actual conjuntura de dificuldades, de inépcia política e de falta de respostas à economia. Por um lado, é este mesmo conjunto de dificuldades que obrigou Portugal a corrigir alguns vícios e escândalos (não todos, infelizmente) que nós, cidadãos contribuintes, fomos deixando institucionalizar. Por outro lado, quem foi chamado a pagar os devaneios não foram apenas os que deles beneficiaram. Neste cenário, o que representam as legítimas queixas dos professores às 40 horas de trabalho e às regras da mobilidade? Nem mais nem menos do que outras queixas de outros sectores, empregados do Estado ou do sector privado.