Nélio Araújo A palavra generalizar significa partir do particular para o global, ou seja, se o sujeito ‘A’ gosta de azul todos os outros sujeitos também gostarão. Com a aproximação das eleições autárquicas tenho notado uma tendência para generalizar as coisas. “O político ‘X’ é corrupto e todos os restantes também são, é tudo farinha do mesmo saco”. Certamente já ouviu esta frase mais do que uma vez e certamente irá ouvi-la até às eleições. O que eu questiono é se na sua vizinhança existir um ladrão posso deduzir que você é um ladrão também? Nos bairros problemáticos todos os seus residentes são delinquentes? No final de contas não serão todos os madeirenses corruptos, ladrões, desonestos, criminosos porque se existem alguns então todos devem ser? Porque existem muitos e seguindo a mesma linha de pensamento, podemos deduzir que eu e você somos farinha do mesmo saco, não prestamos e devíamos ser presos. Mas também conhecemos casos de polícias corruptos e de tráfico dentro das prisões que de alguma forma lá entra. Como vamos resolver este problema? Se calhar o melhor era mesmo destituir todos os órgãos políticos e legislativos e vivermos numa autêntica selvajaria porque aí todos somos iguais e temos os mesmos direitos de não ter direito a nada. Mas aí surgirá também um problema inerente à falta de ordem e aí reinará a ordem do mais forte, a verdadeira “lei da selva”. Então começarão a surgir grupos/facções com ideologias diferentes e a guerrear entre si para a sua posição ser a predominante. Se agora pararmos um pouco e reflectirmos o que acabámos de ler começamos a encontrar semelhanças com o início da raça humana. Pensarmos que se acabarmos com a classe política será um passo gigante para a Humanidade não será antes um passo gigante em direcção aos macacos. A verdadeira mensagem que aqui quero passar é que o acto de generalizar pode ser traiçoeiro. Devemos antes parar e pensar, filtrarmos a informação que nos chega, concluindo, pensarmos por nós próprios e não o que querem que pensemos, questionar e deixar-se de extremismos, porque os extremismos não nos levam a lugar algum. Apesar de todos os defeitos, a Democracia ainda é a melhor forma para vivermos em sociedade e procurar o bem comum. As alternativas são ditaduras e monarquias (umas baseadas em democracia e outras em ditaduras).